domingo, 28 de maio de 2017

Alguém sempre estará se despedindo

Os lugares pelos quais eu ando vão se distorcendo.

Memórias são guardadas nas gavetas, mas jamais tornam-se esquecimento.

O tempo é a noção que se perde mais facilmente.

Eu posso ir embora, você também pode fazê-lo.

Alguém sempre estará se despedindo.

A vida é coleção de imagens coloridas que vão ficando em preto e branco.

Os vazios são momentos bonitos vagando indefinidamente pelo universo.

No fim, apenas o fim?

Não, claro que não.

Ainda estamos sorrindo e contando histórias em algum lugar.

sábado, 27 de maio de 2017

Fantasmas

Criamos e alimentamos fantasmas.

Eles são tudo que não podem ser.

Eles nos engolem, mas nunca nos digerem.

Porque nunca podemos esperar pela realidade.

Trocamos o conforto da espera pela angústia urgente e sufocante da antecipação.

Aqui, os fantasmas, lençóis brancos pendurados em cabides.

Nossos motivos ocultos os fazem crescer, e crescer.

Sentimos as dores em todos os lugares em que eles não estão.

Que morram à míngua, então!

Da mente surgem os nossos males.

Na mente estão as nossas curas.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Desencontro planejado

Olho direto nos seus olhos.

No encontro, a certeza.

Na fuga, tudo o que é necessário represar.

Nesse desencontro planejado, encontro um significado.

Talvez o que agora sou e sinto seja mera coincidência.

Sou devaneio da mente, devaneio do coração, afinal.

De um instante, faço um tudo.

De fração em fração de segundo, construo minha vida.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Saudade

Sinto saudade de você.

Saudade do seu cheiro, do seu beijo arrebatador.

Sinto saudade do que você era.

Saudade dos sonhos, dos planos, da vida que pulsava nos anseios do coração.

Sinto saudade de como você fazia eu me sentir.

Saudade de quando a palavra saudade não soava como mera formalidade.

Sinto saudade de você.

Sinto saudade da sua presença.

Mesmo com você bem à minha frente, olhando para o lado.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ingênuas defesas do indefensável

Bem no meio do que ele é, uma lacuna.

Nada que volte pode resolvê-lo.

As cores se revelam, mostram a essência das coisas.

É tão claro o cenário que se desenhou!

Ele não se preocupa com o que querem que ele se preocupe.

Nem quer ser o que querem que ele seja.

Na inércia reside sua verdadeira força, o silêncio é o seu grito.

As luzes se acendem para trazer o óbvio até os olhos.

Ingênuas defesas do indefensável não são tão ingênuas assim.

O aplauso mais fácil se perdeu quando uma palma se desviou da outra.

A verdade é apenas um inconveniente para o que tentam nos contar todos os dias.  

E então a razão derrete na tentativa insana de transformar estórias em história.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Cinzas levadas pelo vento

O giro cada vez mais rápido vai levando tudo pelo caminho.

Há sempre mais para explorar, e mais, e mais.

Podemos inventar mais algumas horas, jogar segundos preciosos no esgoto.

Tudo se revela, nada se releva.

Qual a próxima fila na qual tenho de entrar?

Eu nunca sei para que isso serve, afinal.

As verdades e as vontades estão em constante desencontro.

Será que eu quero querer o que você quer que eu queira?

Somos cinzas levadas pelo vento, então por que insistimos em ter forma?

Tenho meu lugar de camarote, posso me ver sem pagar ingresso.

Mas ainda estou tão entediado, amando apenas palavras e recusando ordens que não fazem sentido.

É exaustivo prosseguir e nada saber, a perfeição soa tão hipócrita e sem valor. 

Nos caminhos do espírito, vou deixando migalhas...