quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ingênuas defesas do indefensável

Bem no meio do que ele é, uma lacuna.

Nada que volte pode resolvê-lo.

As cores se revelam, mostram a essência das coisas.

É tão claro o cenário que se desenhou!

Ele não se preocupa com o que querem que ele se preocupe.

Nem quer ser o que querem que ele seja.

Na inércia reside sua verdadeira força, o silêncio é o seu grito.

As luzes se acendem para trazer o óbvio até os olhos.

Ingênuas defesas do indefensável não são tão ingênuas assim.

O aplauso mais fácil se perdeu quando uma palma se desviou da outra.

A verdade é apenas um inconveniente para o que tentam nos contar todos os dias.  

E então a razão derrete na tentativa insana de transformar estórias em história.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Cinzas levadas pelo vento

O giro cada vez mais rápido vai levando tudo pelo caminho.

Há sempre mais para explorar, e mais, e mais.

Podemos inventar mais algumas horas, jogar segundos preciosos no esgoto.

Tudo se revela, nada se releva.

Qual a próxima fila na qual tenho de entrar?

Eu nunca sei para que isso serve, afinal.

As verdades e as vontades estão em constante desencontro.

Será que eu quero querer o que você quer que eu queira?

Somos cinzas levadas pelo vento, então por que insistimos em ter forma?

Tenho meu lugar de camarote, posso me ver sem pagar ingresso.

Mas ainda estou tão entediado, amando apenas palavras e recusando ordens que não fazem sentido.

É exaustivo prosseguir e nada saber, a perfeição soa tão hipócrita e sem valor. 

Nos caminhos do espírito, vou deixando migalhas...