sexta-feira, 14 de abril de 2017

Asas falsas

Eleva-se acima dos céus, todas as respostas estão prontas.

Toda a sabedoria agora parece ter jeito de farsa.

As mais absurdas analogias são traçadas para comprovar aquilo que viola a realidade.

Em meio à náusea, o questionamento, todos os lugares são errados.

Os aplausos são gestos mecânicos e irrefletidos, zumbis limpam os dentes e raspam os ossos.

Não há qualquer chance de paz em meio ao caos que você propõe.

Não, não há qualquer chance de que eu me curve, fingindo que suas contradições fazem algum sentido.

A verdade tornou-se mero detalhe inconveniente, uma manada engole suas fábulas sem mastigá-las.

Com uma borracha, apago suas asas falsas.

Abaixo do chão, eis o lugar em que realmente está.

Tanto desse poder ficou no passado, não confunda jamais com todo o poder.

E é tão absurda essa tentativa oportunista e desesperada de provar que o ruim pode ser bom.

Deixo as horas partirem, tenho todo o tempo agora que o tempo se esgotou.

Mergulho em mim mesmo, mais alguns graus abaixo da temperatura original.

Estive febril sem saber, fui febril sem saber.

Agora estou melhor adaptado àquilo que o mundo quer de mim.

2 comentários:

CÉU disse...

O mundo nunca se adaptará a nós. Terá de ser o contrário, se quisermos seres, minimamente felizes e "integrados".

FELIZ PÁSCOA, BRUNO!

Beijos.

Bruno Mello Souza disse...

Feliz Páscoa pra ti também, Céu!

Beijos.