domingo, 30 de abril de 2017

Raio de sol

A solidão se vai, junto com a chuva.

O céu se abre com seu sorriso, meu raio de sol.

Com ele, abro meu peito, que dispara.

Olho para o seu olhar, do brilho mais intenso.

E tenho a certeza de que, por você, eu faria tudo de novo.

sábado, 29 de abril de 2017

Até o último segundo

Acertos nunca existem.

Temos até o último segundo.

Boas intenções vagam pelos becos.

E então me ensinam o que eu devo querer.

A mente encontra respostas.

Errar já não faz tanta diferença.

Talvez tenhamos algo para parecer.

Apertaram nossos laços no pescoço, eles nos estrangularam.

Todos os caminhos se bifurcam.

E minhas verdades já não oferecem chances de fuga.

Assim é o destino.

Assim são os fins e os começos. 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Espelho que não se quebra

O medo não é argumento.

Por entre as palavras eles escondem a verdade.

No desafio à mente, a fuga.

Queremos o direito de não ser apenas iguais, miseráveis nadando na mediocridade.

Não sobrou nada por entre os dedos, mãos livres e sujas apontam para o lado errado.

Eles se repetem, eles não refletem. 

Se nas profundezas há alguma justiça, a superfície é fétida.

Há um mundo se rompendo em pedaços, os meios se desconectaram dos fins.

Nada mais serve como desculpa.

A negação é espelho que não se quebra, refletindo a fábula que eles inventaram para nos enganar.

A tragicomédia passa diante dos nossos olhos incrédulos.

Eles não têm mais nada a dizer, então por que ainda estamos de ouvidos tão atentos?

Todos os remorsos se afogaram no vazio dos ecos daquilo que não foi gritado.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

No meio do nada

Os olhos ressecados têm medo.

O fim pode ser o começo.

Entre espíritos despedaçados, apenas a sobrevivência.

No solo tão árido, nada parece florescer.

Quanta areia há na ampulheta?

A existência é labirinto sem fim, mesmo nos caminhos mais conhecidos.

E as respostas prontas, todas viraram tolice para os manuais que ninguém mais lerá.

Mas no meio do nada, o amor sobrevive à desesperança.

Por mais um minuto, por mais um dia, por mais um milênio.

Ainda há algo de humano em nós.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Na minha mente

Na minha mente, imagens do que nunca aconteceu.

Na minha mente, palavras que jamais foram ditas.

Na minha mente, eu me asfixio.

Na minha mente, eu me consumo.

Na minha mente, uma série de eventos perfeitamente encadeados.

Na minha mente, uma dor que nunca senti.

Na minha mente, o improvável tão real.

Na minha mente, tudo começa e tudo se acaba.

Na minha mente, estou perdido em um labirinto.

E acordo no mesmo lugar. 

É a ansiedade.

É a minha ansiedade.

É a ansiedade.

É a minha ansiedade.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Cubo mágico

Nos acordes conhecidos, a sensação que se resgata.

Aflora-se um mesmo começo, e que o fim seja o mesmo.

Muitos espaços em branco, está criado o enigma.

Até os acertos estão errados, não sobrou nenhuma saída.

A paz é uma janela, a inquietude é permanente.

Muda-se tudo para permanecer no mesmo lugar.

Sempre há algum desajuste, somos tão incompletos e tolos.

A plenitude talvez seja uma quimera, a vida é um cubo mágico.

Somos o acaso, algo que tem sentido em si mesmo.

E talvez só tenha sentido em si mesmo, mesmo.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Entre o que foi e o que poderia ter sido

Ela está perdida.

Está entre o que foi e o que poderia ter sido.

Os tempos erram em sua perfeição, como se pode voltar?

Todo sonho é tardio, de suas pequenas mãos voam as escolhas.

Ela está em busca do horizonte que sempre foge.

Tornou-se tão natural esperar pelo pior.

E o pior tornou-se então tão normal para aquela garota.

Todo fim é um começo.

E ela já nem precisa mais chorar.

domingo, 16 de abril de 2017

A luz que eu sempre desejei em minha manhã

Um pretexto perfeito para ver o sol brilhar, não era tão difícil de conseguir.

Quando a vontade sobra, motivos não faltam.

As palavras, suas formas e pronúncias, tornam-se mero detalhe.

O que realmente importa nos transcende e nos eleva.

E o lugar onde posso encontrar seus olhos é o melhor lugar.

Eu mudo o cenário e busco a perfeição e o conforto.

Somos inesgotáveis em nossos anseios e encantamentos.

Na fronteira entre o sonho e a realidade encontro a melhor das sensações.

A respiração lenta me faz fechar os olhos e querer ser um pouco mais.

As texturas se encontram e se combinam, levando-nos ao céu.

Fica um gosto bom na minha boca, o raiar do sol atesta nossa veracidade.

É exatamente essa luz que eu sempre desejei em minha manhã.

sábado, 15 de abril de 2017

Antes das lágrimas secarem

O mundo acelera sua rotação, já anoiteceu.

Eu encontro um pedaço de papel com qualquer coisa que me desorienta.

No passado, as brincadeiras nas quais um dia acreditei.

Eu precisava acreditar em qualquer coisa.

Num segundo, a chance se foi, e tentei fingir que não perdi.

Eram tantas as fugas, nem sempre divertidas para mim.

A vigília era tola, um somatório de horas inúteis.

Antes das lágrimas secarem, todo fim de dia era o fim do mundo.

Esforços e desgastes se foram, imaginações nunca foram reais.

Atrás de nossos passos, as pontes vão sendo queimadas.

Logo à frente, uma nova chance para desperdiçar.

Mais pontes para queimar.

Eis a liberdade, que dança, corre e foge.

E nós aqui, prisioneiros dessa busca incessante, sempre à procura dela.  

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Asas falsas

Eleva-se acima dos céus, todas as respostas estão prontas.

Toda a sabedoria agora parece ter jeito de farsa.

As mais absurdas analogias são traçadas para comprovar aquilo que viola a realidade.

Em meio à náusea, o questionamento, todos os lugares são errados.

Os aplausos são gestos mecânicos e irrefletidos, zumbis limpam os dentes e raspam os ossos.

Não há qualquer chance de paz em meio ao caos que você propõe.

Não, não há qualquer chance de que eu me curve, fingindo que suas contradições fazem algum sentido.

A verdade tornou-se mero detalhe inconveniente, uma manada engole suas fábulas sem mastigá-las.

Com uma borracha, apago suas asas falsas.

Abaixo do chão, eis o lugar em que realmente está.

Tanto desse poder ficou no passado, não confunda jamais com todo o poder.

E é tão absurda essa tentativa oportunista e desesperada de provar que o ruim pode ser bom.

Deixo as horas partirem, tenho todo o tempo agora que o tempo se esgotou.

Mergulho em mim mesmo, mais alguns graus abaixo da temperatura original.

Estive febril sem saber, fui febril sem saber.

Agora estou melhor adaptado àquilo que o mundo quer de mim.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Dobrando a esquina

O vento queimou seu rosto durante a noite.

As ordens se invertem, ficamos de cabeça para baixo.

De que lado estão as causas e as consequências?

Eles conseguiram o pretexto perfeito que eu nunca conseguiria usar.

No meio da fumaça, a visão fica tão mais clara!

Vão-se os dedos, ficam os anéis.

Os ingênuos adiantam os preparativos para um fim solene.

Dobrando a esquina, surgem novas vontades, ideias e perturbações.

E agora a eternidade parece tão efêmera e perecível.

Eis um mundo de gente que amputa seus membros e almas para caber na caixa.

Eu nunca quis ser assim!

Se o destino está traçado, a vida seria uma bandeja de comida congelada?

No fim, todos somos iguais.

E todos os amores e fúrias tornam-se um interminável silêncio.

domingo, 9 de abril de 2017

No fundo do copo

Em suas mãos, tudo que você esmaga.

Qual foi o erro que cometemos?

Há muitas saídas, onde estão os caminhos?

Tudo muda de aspecto, estamos envelhecendo aqui.

O desajuste pode ser uma dádiva.

Os gestos e gritos foram robotizados, eu tenho carne, tenho sangue.

Você faz o mais fácil só porque parece mais difícil.

As palavras se chocam e estouram como bolhas de sabão.

Sobraram motivos para rir, enquanto lá fora todos estão carrancudos.

As banalidades são as coisas mais importantes, você consegue perceber?

No fundo do copo estão as verdades mais densas que eles costumam jogar pelo ralo da pia.

E é assim que as horas, os dias, os meses, os anos e as vidas vão passando...  

sábado, 8 de abril de 2017

Rabisco no céu

No horizonte, aquilo que não vou alcançar.

Por entre os dedos, nossos vazios.

Por entre as palavras, nossas verdades.

Cada um tem seu lugar destinado, nenhuma afirmação tem qualquer utilidade.

Aqui tenho o suficiente, ninguém pode me entender.

O fim pode apressar ou conformar todas as coisas.

Os medos já não podem preservar ou proteger nada nem ninguém.

Algo muda de dentro para fora, as perplexidades afogam nossos espíritos.

Algo permanece em mim, eu sou a permanência em forma de revolta.

Nos céus, eu rabisco alguma coisa para mim mesmo.

Compro a guerra apenas para ficar em paz por um instante.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Novo dia

Anoiteceu.

Choveu, choveu, choveu.

Pela janela, começam a adentrar meu quarto os primeiros raios de sol.

É um novo dia, é uma nova vida.

domingo, 2 de abril de 2017

Chuva e abrigo

Das minhas lágrimas, chuva torrencial.

No seu abraço, o abrigo, a acolhida, a salvação.

Fico, então, maior.

Minha dor, ela encolhe.

Torno-me, pois, um pouco mais capaz de amar.