segunda-feira, 20 de março de 2017

Pedaços de alma

Tantas vezes eu me perdi na estrada escura.

Sim, eu sempre segui o meu coração, mesmo que ninguém quisesse segui-lo comigo.

Já prendi a respiração inúmeras vezes, mas como não respirar mais?

Sim, a solidão quase me trucidou  até que eu conversasse com ela e a entendesse.

Seguro uma rosa, corto meus dedos, sigo em frente.

Sim, ainda ter sangue nas veias é uma dádiva difícil de explicar.

As árvores ganharam vida e me enforcaram quando caminhei pela noite.

Sim, eu prossegui como se nada tivesse acontecido.

Egos e palavras parecem se diluir com rapidez assustadora.

Sim, eu dou importância para as coisas que ninguém vê pelo caminho.

E tudo que é inteiro é violentado, o que se quebra se torna mais presente.

Mas o que são pedaços de alma espalhados no chão, sem essência alguma, sem qualquer importância?

O que são pedaços de alma espalhados no chão, sem identidade nenhuma, sem qualquer esperança?

E no chão, os cacos podem machucar, mas isso é mero detalhe.

Somos melhores não sendo nós mesmos.

Somos melhores sendo piores.

Somos melhores não sendo nada. 

2 comentários:

Bárbara Paloma disse...

Teu escrito transborda em sensibilidade! Cada verso possui uma profundidade única, cada verso daria um poema RS
Abraços.

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado pelas palavras, Bárbara!

Abraços.