terça-feira, 21 de março de 2017

Doce andarilho

Caía a noite, o velho homem veio me falar de dor.

Era tão sábio, era tão tolo.

Ele me falou de tudo que quis, de tudo que sentiu.

Viveu tantas coisas, aquele velho homem.

Tanto amor ele sentiu, tantas vezes ele morreu.

Aos poucos, aquele velho homem foi o máximo que poderia ser.

Queimou, queimou, queimou em seus próprios infernos.

Andou pelo paraíso com uma deliciosa brisa tocando seu rosto.

Ele se deu por completo, ele perdeu tudo.

Aquele velho homem se perdeu, aquele velho homem aprendeu.

Ele vaga pelas ruas, guarda todas as riquezas no peito.

Tão grande era seu coração, tão acolhedoras eram suas palavras.

Aquele velho homem sabia amar, e por isso tornou-se refém da solidão.

Era um doce andarilho, que muito chorou, que tudo sentiu, que um tanto sorriu.

E ele errou, e ele cresceu, e ele viveu.

Nada teria valido a pena se não tivesse sido exatamente como aconteceu.

4 comentários:

Jonatas Rubens Tavares disse...

Muito palpável o doce andarilho, Bruno

E quantos não desprezam, menosprezam as narrativas e experiências de homens assim? Sábios, felizardos são aqueles que os ouvem.

Forte carga poética emana de todo o seu texto. Parabéns pela feliz composição

Abraço

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado pelas palavras, Jonatas.

Volte sempre!

Abraço.

Bárbara Paloma disse...

Cheguei em teu blog por acaso, e muito me encantei.
As pessoas e suas histórias, felizes, tristes, sábias... belas!
Um terno abraço.

Bruno Mello Souza disse...

Olá, Bárbara!

Fico feliz que tenhas gostado! Estás convidada a voltar sempre!

Abraço.