segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Apegos no vazio

Saímos a viajar, não tínhamos nada a nos aprisionar naqueles dias tão limpos.

Muitas vezes, a verdade está logo abaixo da fina camada das palavras.

Uma vontade recíproca e anacrônica invade a imaginação.

O pé no acelerador liberta, a estrada é um fio de navalha.

Conduza-me ao erro, é o que eu quero agora.

Deixe-me fugir dos remorsos que me aprisionam.

Dedos ressecados apontam culpas sem qualquer indício do que um dia nós fomos.

Estamos mais e mais distantes, chegando a um lugar estranho que mais parecia um sentimento.

Onde quer que seja, somos os mesmos e não podemos alterar o curso dos nossos destinos.

A realidade se molda aos desejos para tornar tudo mais frustrante.

Mas permaneço com anseios iguais.

Não posso continuar dessa maneira.

Permaneço tão tolo com esses apegos no vazio.

Então convença-me de que vale a pena continuar exatamente dessa maneira.

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