sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Paraíso de risos e gritos desesperados

Mais uma noite é roubada das minhas mãos.

Tolos de todas as espécies se digladiam por tesouros que jamais possuirão.

Seus sonhos podem facilmente se transformar em pesadelos.

Basta que o cansaço consuma seu espírito e que toda esperança termine bem diante de seus olhos.

Vamos deixando pequenos pedaços de nós mesmos por onde passamos.

Mas hoje não consigo me ver em lugar algum.

As menores desvantagens tornam-se monumentais, e as maiores vantagens sempre viram farelo.

São tantas sementes sem que nada floresça, essas terras não podem me alimentar.

No fim da festa, sou convidado a sair de onde nunca entrei.

Ruas vazias e silenciosas são o paraíso de risos e gritos desesperados.

Nossas identidades morreram afogadas e descansam sem paz.

É tão fácil perceber a calçada como inimiga quando tropeçamos.


Mas é ela que nos abraça cada vez que caímos.

2 comentários:

CÉU disse...

É Paraíso e Inferno, mas essa é a tua Pátria, a tal calçada que te recebe, sempre, Bruno.

Beijos e bom final de semana.

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado pela visita, Céu!

Beijos.