quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Para depois

Antigamente não havia limites para o que queríamos.

Mas hoje estamos tão cansados.

Cada dia é um novo aprendizado sobre coisas velhas demais.

Dentro de mim é tudo tão previsível.

A fila para a felicidade é interminável.

Já esperamos o suficiente para perder mais uma vez.

Mas o jogo já está perdido antes de começar.

Eu me conheço melhor, sei exatamente onde vou parar.

Conheço tão bem o espírito humano, e tudo que se finge que se quer.

Na fumaça da chaminé, todas as fotos que não tiramos em momentos que não vivemos nos lugares que não conhecemos.

Cedo ou tarde demais, a hora certa sempre foi a hora errada.

Meu silêncio é grito e aceitação, engalfinhados na miséria tão prometida.

E todos os dias me cobram que eu me dê uma chance de não viver.

O depois sempre foi tão fácil para quem tem medo de enfrentar o vazio da realidade.

Para depois fica o resquício dos sentimentos represados.

Para depois ficamos todos nós, até que depois não exista mais.  

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