domingo, 8 de janeiro de 2017

O melhor que posso ser

As luzes se apagam, volto para qualquer lugar do meu passado.

Tanto tempo da vida se preenche com reticências, sou esse tempo fadado à eternidade.

Em meio às necessidades mais humanas, corto meus pés pisando no fio da navalha.

Nunca pude evitar ser eu mesmo, mesmo em todas as vezes em que tentei fugir.

No cenário em que tudo muda de lugar a todo momento, busco minha sobrevida.

Posso cair, posso me reerguer, é só assim que permaneço quando fico exposto.

Não me peça para apagar, se quero aproveitar cada segundo que tenho aqui.

Se tenho direito a um sonho, deixe-me sonhá-lo com toda minha devoção.

Estou pronto para o sempre, estou pronto para o nunca mais.     

Aprendi em todos os meus outros dias que, quando amanhece, a única certeza é a da dúvida.

Já não luto com meus fantasmas, apenas converso com eles até que resolvam desaparecer.

Tomo todos os cuidados para que nada seja desperdiçado nessa doce alucinação.

Sou o melhor que posso ser, atento às irregularidades do terreno da minha existência.

Tão perfeita é a textura que me inebria, a mais bonita das distrações.

A tolice tem gosto de chocolate, e apenas posso prometer não ter uma indigestão.

Eis a perfeição que não se pode explicar, escondida em tudo que simplesmente é e está.

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