quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Bolhas e sonhos

A noite é uma surpresa, as estrelas mudam de lugar.

Faço meu máximo com tão pouco que posso fazer.

Meus sentidos ficam mais aguçados, lentamente eu me rendo.

Sou todo contemplação de todas as dores escondidas por trás dos risos.

Os desperdícios são permanentes, inevitáveis.

Tanto amamos bibelôs que são tomados pela poeira, nem notamos a vida passar.

A lucidez pode enlouquecer qualquer um, pode rasgar suas entranhas.

Qualquer bolha que surja no ar é um novo motivo para sonhar.

Mas ao toque das mãos, as bolhas estouram.

Então eu volto a me olhar no espelho, e não me enxergo mais.

Os cacos já não formam imagem alguma.

Tanto já esperei, e ainda dizem que tenho pressa.

A necessidade se acabou e virou silêncio aterrador.

Amanhece mais uma vez, e nada mais é novidade.

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