domingo, 29 de janeiro de 2017

Bolhas de sabão

Eu me construo por séculos e em segundos me desmonto.

Os ventos da vida derrubam sonhos tão frágeis.

Tantos tempos diferentes nunca podem se encaixar.

E em cada esquina há uma anacronia diferente.

Quanto você pode fazer durar sua felicidade?

É sempre cedo para decretar o fim.

Eu me exponho, deixo-me à mercê do inusitado.

À noite, todos os corações parecem iguais.

Quantos deles podem sobreviver à luz do novo dia?

É tão fácil deixar de existir na vida de alguém.

Mas é tão difícil fazer com que alguém deixe de existir na sua.

As pessoas são bolhas de sabão vagando pelo ar, prestes a estourar e desaparecer com qualquer contato.

Já não posso me diminuir para me nivelar.

Do banquete, sobrou apenas a sujeira que estou tentando limpar.

Porque isso não pode apodrecer dentro do meu peito.

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