quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

As flores que alguém jogará no lixo

No meio das suas palavras, a todo momento surge algo que não consigo interpretar.

Há sempre um vácuo para o que é vital entre tudo o que precisamos entender.

Trago comigo a carga das muitas coisas que vi, ouvi, vivi e senti.

Seres humanos doam o seu máximo, tantas vezes não obtêm sequer o mínimo.

No meio do caminho, o erro e a dor inevitável.

Há sempre uma nova chance para frustrar suas expectativas.

Trago sempre comigo as flores que alguém jogará no lixo.

Seres humanos se beijam, se abraçam e se esfaqueiam, se amam, se desprezam e se odeiam.

Estou sempre tão cansado quando acordo de manhã, estou sempre tão insone quando me deito à noite.

O futuro me exaure, o passado me agride, o presente não me olha nos olhos.

Quem me entende não pode estar aqui, então me protejo do frio com uma colcha de retalhos.

Talvez seja para sempre assim, e eu finjo não me importar.

Talvez seja sempre o fim, e eu finjo nem ter começado.

Nenhum comentário: