quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Despertar

Os primeiros raios de sol adentram o quarto.

Primeiro abre os olhos.

Me olha.

Sorri.

Você desabrocha aos poucos, e vou me deleitando.

Sinto-me um privilegiado.

Seu despertar é um dos fenômenos mais lindos da natureza.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Sem asteriscos

Te amo sem medo.

Te amo sem angústia.

Te amo sem receio.

Te amo sem remorso.

Te amo sem bula.

Te amo sem contra-indicações.

Te amo sem censura.

Te amo sem meias palavras.

Te amo sem asteriscos.

Te amo sem notas de rodapé.

Apenas te amo.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Amar e vencer

Todos os dias fazemos uma aposta diferente.

Cada inspiração que invade os pulmões é um milagre que não percebemos.

Levamos nossos valores, podemos morrer por eles.

Eu prefiro amar a vencer, jamais me sentirei derrotado com o coração preenchido.

A insanidade devoradora de sonhos que se bate contra as janelas, que fique lá fora.

Estou protegido em meu peito, a despeito do que o mundo tenta impor.

Luto todos os dias para ser então capaz de sorrir e viver, para ter alguma luz nos meus olhos.


Porque é isso que vale no fim de tudo, acima de tudo que nos fazem pensar que queremos.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Flor da minha poesia

Ela é a flor da minha poesia.

Ela se deixa iluminar pelo sol, ela se revela em todo o seu esplendor.

Ela tem todas as cores do mundo, ela tem cores que eu nem mesmo conhecia.

Eu sou um bobo que a admira, deixando os olhos brilharem com sua luz.

E eu quero cuidá-la, regá-la com todo meu carinho e ternura.

Porque ela é a flor da minha poesia.

E minha poesia sem flor seria apenas um ajuntamento de palavras sem vida.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Meu pequeno paraíso

Seus olhos são estrelas que brilham, orientam o caminho no meu céu.

O sorriso que brota na sua boca é o Sol a iluminar um novo dia, fazendo da minha alma firmamento azul.

Em sua pele encontro o mais alucinante deleite, meu pequeno paraíso que faz o mundo parar.

No meu peito pulsa o tempo, relógio quebrado que me ilude e trapaceia quando a distância separa os nossos corpos.

Então meu coração bate forte, quase explode querendo te ver.

Ele se enche e transborda de tanto carinho por você...


domingo, 25 de junho de 2017

Poesia

Em seu sorriso estão as metáforas de que preciso.

Nos seus olhos, a harmonia que dá sentido a cada frase.

É minha doce e mais carinhosa rima.

Em você, encontrei minha mais bela poesia.

domingo, 18 de junho de 2017

Sintomas

E esse aperto no peito.

E esse nó na garganta.

E esse ar rarefeito.

E esse coração em polvorosa.

Tudo isso é minha saudade.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Doce contemplação

Corre nas veias a vida, o que quebra a inércia.

Nos traços de uma pintura, as interrogações do artista que só quer amar.

Infinitas combinações de cores aleatórias surgem no vazio.

No atalho mais curto, desenha a noite.

Mas ele reza para que a manhã logo chegue. 

Espaços ficam por entre as tintas, logo ele tira a venda dos olhos.

Fica frente a frente com sua mais bela criação.

Ali estão as lágrimas que secaram e os risos prometidos.

O presente que engole permanentemente o futuro então cessa solenemente.

Era necessária essa doce contemplação.

domingo, 11 de junho de 2017

Na contramão

Eu piso fundo, preciso chegar logo ao lugar que meu coração aponta.

Sou movido pela fé, carrego anseios que transbordam da alma.  

Em meus olhos, o pára-brisas molhado pela chuva que brota em mim.

Eu me guio pelo instinto de quem busca o tesouro maior acima das obviedades.

Vou andar na contramão, levando a vida do meu jeito.

Rezo pra não colidir, eu sei que sou tão imperfeito.

Lá está minha paz, minha paz está aqui.

Para além da utilidade, quero o sabor das coisas, o que faz o peito palpitar.

Não sigo placas ou sinais, minha referência são os planetas e as estrelas.

Meus sonhos são a bússola, respiro fundo e continuo.

O destino é o seu riso, minha fortaleza é o que eu sinto.

sábado, 10 de junho de 2017

Mágica harmonia

Seu sorriso brilha.

Meus olhos contemplam essa beleza e brilham de volta.

De repente, nossas existências parecem ter se encaixado na mais mágica harmonia.

E dançamos uma música que só nós ouvimos.

Não é no relógio, nas letras frias ou nas fórmulas prontas.

A verdade, tão perseguida em todos os cantos do mundo por andarilhos com seus mapas, está bem aí, no seu coração.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Seu olhar

Seu olhar tem o brilho das estrelas.

Reflete os meus melhores sentimentos.

Na noite escura, é meu guia.

No dia claro, é minha certeza.

Seu olhar dá luz ao meu olhar.

Outrora opacos, meus olhos voltam a ter vida.

Admirados com tanta beleza, percorrem o seu rosto.

Nesse lindo bem querer, encontram a paz tão esperada. 

domingo, 4 de junho de 2017

Primavera em meu peito

Quando meus olhos encontraram os teus, acabou-se o inverno.

Quando minha boca encontrou a tua, fez primavera em meu peito.

Tantas cores mudaram a paisagem, desabrochando a ternura da minha alma.

E então eu te dei todas as flores.

Aprecio tua pele, me deleito com teu gosto.

Eu não sei onde estamos, eu não sei para onde vamos.

Mas você tornou tudo mais bonito, assim, num estalar de dedos.

A chegada é incerta, o caminho é encantador.

E isso já faz tudo valer a pena. 

De mãos dadas com a vida, percorro tua trilha.

Quero sorrir o teu sorriso, sempre que possível.

E quero chorar as tuas lágrimas, sempre que necessário.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Leve como uma folha levada pelo vento

Sinto a calma e a palpitação nesse meu peito.

Pego o tempo pela mão, navego nos pensamentos.

Tão bela pintura, deixe-me fazer parte da sua paisagem.

Leve como uma folha levada pelo vento, eu lhe aprecio e descubro.

Um mundo inteiro de angústias e amores cabe no seu sorriso.

Você pode até achar graça, sou um bobo que não mais esconde seus tropeços.

E às vezes até tropeço de propósito para que você ria quando a tristeza paira em seu rosto.

Quando a noite chega, durmo mais feliz.

Tudo ficou um pouco mais doce dentro de mim.

domingo, 28 de maio de 2017

Alguém sempre estará se despedindo

Os lugares pelos quais eu ando vão se distorcendo.

Memórias são guardadas nas gavetas, mas jamais tornam-se esquecimento.

O tempo é a noção que se perde mais facilmente.

Eu posso ir embora, você também pode fazê-lo.

Alguém sempre estará se despedindo.

A vida é coleção de imagens coloridas que vão ficando em preto e branco.

Os vazios são momentos bonitos vagando indefinidamente pelo universo.

No fim, apenas o fim?

Não, claro que não.

Ainda estamos sorrindo e contando histórias em algum lugar.

sábado, 27 de maio de 2017

Fantasmas

Criamos e alimentamos fantasmas.

Eles são tudo que não podem ser.

Eles nos engolem, mas nunca nos digerem.

Porque nunca podemos esperar pela realidade.

Trocamos o conforto da espera pela angústia urgente e sufocante da antecipação.

Aqui, os fantasmas, lençóis brancos pendurados em cabides.

Nossos motivos ocultos os fazem crescer, e crescer.

Sentimos as dores em todos os lugares em que eles não estão.

Que morram à míngua, então!

Da mente surgem os nossos males.

Na mente estão as nossas curas.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Desencontro planejado

Olho direto nos seus olhos.

No encontro, a certeza.

Na fuga, tudo o que é necessário represar.

Nesse desencontro planejado, encontro um significado.

Talvez o que agora sou e sinto seja mera coincidência.

Sou devaneio da mente, devaneio do coração, afinal.

De um instante, faço um tudo.

De fração em fração de segundo, construo minha vida.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Saudade

Sinto saudade de você.

Saudade do seu cheiro, do seu beijo arrebatador.

Sinto saudade do que você era.

Saudade dos sonhos, dos planos, da vida que pulsava nos anseios do coração.

Sinto saudade de como você fazia eu me sentir.

Saudade de quando a palavra saudade não soava como mera formalidade.

Sinto saudade de você.

Sinto saudade da sua presença.

Mesmo com você bem à minha frente, olhando para o lado.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ingênuas defesas do indefensável

Bem no meio do que ele é, uma lacuna.

Nada que volte pode resolvê-lo.

As cores se revelam, mostram a essência das coisas.

É tão claro o cenário que se desenhou!

Ele não se preocupa com o que querem que ele se preocupe.

Nem quer ser o que querem que ele seja.

Na inércia reside sua verdadeira força, o silêncio é o seu grito.

As luzes se acendem para trazer o óbvio até os olhos.

Ingênuas defesas do indefensável não são tão ingênuas assim.

O aplauso mais fácil se perdeu quando uma palma se desviou da outra.

A verdade é apenas um inconveniente para o que tentam nos contar todos os dias.  

E então a razão derrete na tentativa insana de transformar estórias em história.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Cinzas levadas pelo vento

O giro cada vez mais rápido vai levando tudo pelo caminho.

Há sempre mais para explorar, e mais, e mais.

Podemos inventar mais algumas horas, jogar segundos preciosos no esgoto.

Tudo se revela, nada se releva.

Qual a próxima fila na qual tenho de entrar?

Eu nunca sei para que isso serve, afinal.

As verdades e as vontades estão em constante desencontro.

Será que eu quero querer o que você quer que eu queira?

Somos cinzas levadas pelo vento, então por que insistimos em ter forma?

Tenho meu lugar de camarote, posso me ver sem pagar ingresso.

Mas ainda estou tão entediado, amando apenas palavras e recusando ordens que não fazem sentido.

É exaustivo prosseguir e nada saber, a perfeição soa tão hipócrita e sem valor. 

Nos caminhos do espírito, vou deixando migalhas...

domingo, 30 de abril de 2017

Raio de sol

A solidão se vai, junto com a chuva.

O céu se abre com seu sorriso, meu raio de sol.

Com ele, abro meu peito, que dispara.

Olho para o seu olhar, do brilho mais intenso.

E tenho a certeza de que, por você, eu faria tudo de novo.

sábado, 29 de abril de 2017

Até o último segundo

Acertos nunca existem.

Temos até o último segundo.

Boas intenções vagam pelos becos.

E então me ensinam o que eu devo querer.

A mente encontra respostas.

Errar já não faz tanta diferença.

Talvez tenhamos algo para parecer.

Apertaram nossos laços no pescoço, eles nos estrangularam.

Todos os caminhos se bifurcam.

E minhas verdades já não oferecem chances de fuga.

Assim é o destino.

Assim são os fins e os começos. 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Espelho que não se quebra

O medo não é argumento.

Por entre as palavras eles escondem a verdade.

No desafio à mente, a fuga.

Queremos o direito de não ser apenas iguais, miseráveis nadando na mediocridade.

Não sobrou nada por entre os dedos, mãos livres e sujas apontam para o lado errado.

Eles se repetem, eles não refletem. 

Se nas profundezas há alguma justiça, a superfície é fétida.

Há um mundo se rompendo em pedaços, os meios se desconectaram dos fins.

Nada mais serve como desculpa.

A negação é espelho que não se quebra, refletindo a fábula que eles inventaram para nos enganar.

A tragicomédia passa diante dos nossos olhos incrédulos.

Eles não têm mais nada a dizer, então por que ainda estamos de ouvidos tão atentos?

Todos os remorsos se afogaram no vazio dos ecos daquilo que não foi gritado.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

No meio do nada

Os olhos ressecados têm medo.

O fim pode ser o começo.

Entre espíritos despedaçados, apenas a sobrevivência.

No solo tão árido, nada parece florescer.

Quanta areia há na ampulheta?

A existência é labirinto sem fim, mesmo nos caminhos mais conhecidos.

E as respostas prontas, todas viraram tolice para os manuais que ninguém mais lerá.

Mas no meio do nada, o amor sobrevive à desesperança.

Por mais um minuto, por mais um dia, por mais um milênio.

Ainda há algo de humano em nós.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Na minha mente

Na minha mente, imagens do que nunca aconteceu.

Na minha mente, palavras que jamais foram ditas.

Na minha mente, eu me asfixio.

Na minha mente, eu me consumo.

Na minha mente, uma série de eventos perfeitamente encadeados.

Na minha mente, uma dor que nunca senti.

Na minha mente, o improvável tão real.

Na minha mente, tudo começa e tudo se acaba.

Na minha mente, estou perdido em um labirinto.

E acordo no mesmo lugar. 

É a ansiedade.

É a minha ansiedade.

É a ansiedade.

É a minha ansiedade.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Cubo mágico

Nos acordes conhecidos, a sensação que se resgata.

Aflora-se um mesmo começo, e que o fim seja o mesmo.

Muitos espaços em branco, está criado o enigma.

Até os acertos estão errados, não sobrou nenhuma saída.

A paz é uma janela, a inquietude é permanente.

Muda-se tudo para permanecer no mesmo lugar.

Sempre há algum desajuste, somos tão incompletos e tolos.

A plenitude talvez seja uma quimera, a vida é um cubo mágico.

Somos o acaso, algo que tem sentido em si mesmo.

E talvez só tenha sentido em si mesmo, mesmo.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Entre o que foi e o que poderia ter sido

Ela está perdida.

Está entre o que foi e o que poderia ter sido.

Os tempos erram em sua perfeição, como se pode voltar?

Todo sonho é tardio, de suas pequenas mãos voam as escolhas.

Ela está em busca do horizonte que sempre foge.

Tornou-se tão natural esperar pelo pior.

E o pior tornou-se então tão normal para aquela garota.

Todo fim é um começo.

E ela já nem precisa mais chorar.

domingo, 16 de abril de 2017

A luz que eu sempre desejei em minha manhã

Um pretexto perfeito para ver o sol brilhar, não era tão difícil de conseguir.

Quando a vontade sobra, motivos não faltam.

As palavras, suas formas e pronúncias, tornam-se mero detalhe.

O que realmente importa nos transcende e nos eleva.

E o lugar onde posso encontrar seus olhos é o melhor lugar.

Eu mudo o cenário e busco a perfeição e o conforto.

Somos inesgotáveis em nossos anseios e encantamentos.

Na fronteira entre o sonho e a realidade encontro a melhor das sensações.

A respiração lenta me faz fechar os olhos e querer ser um pouco mais.

As texturas se encontram e se combinam, levando-nos ao céu.

Fica um gosto bom na minha boca, o raiar do sol atesta nossa veracidade.

É exatamente essa luz que eu sempre desejei em minha manhã.

sábado, 15 de abril de 2017

Antes das lágrimas secarem

O mundo acelera sua rotação, já anoiteceu.

Eu encontro um pedaço de papel com qualquer coisa que me desorienta.

No passado, as brincadeiras nas quais um dia acreditei.

Eu precisava acreditar em qualquer coisa.

Num segundo, a chance se foi, e tentei fingir que não perdi.

Eram tantas as fugas, nem sempre divertidas para mim.

A vigília era tola, um somatório de horas inúteis.

Antes das lágrimas secarem, todo fim de dia era o fim do mundo.

Esforços e desgastes se foram, imaginações nunca foram reais.

Atrás de nossos passos, as pontes vão sendo queimadas.

Logo à frente, uma nova chance para desperdiçar.

Mais pontes para queimar.

Eis a liberdade, que dança, corre e foge.

E nós aqui, prisioneiros dessa busca incessante, sempre à procura dela.  

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Asas falsas

Eleva-se acima dos céus, todas as respostas estão prontas.

Toda a sabedoria agora parece ter jeito de farsa.

As mais absurdas analogias são traçadas para comprovar aquilo que viola a realidade.

Em meio à náusea, o questionamento, todos os lugares são errados.

Os aplausos são gestos mecânicos e irrefletidos, zumbis limpam os dentes e raspam os ossos.

Não há qualquer chance de paz em meio ao caos que você propõe.

Não, não há qualquer chance de que eu me curve, fingindo que suas contradições fazem algum sentido.

A verdade tornou-se mero detalhe inconveniente, uma manada engole suas fábulas sem mastigá-las.

Com uma borracha, apago suas asas falsas.

Abaixo do chão, eis o lugar em que realmente está.

Tanto desse poder ficou no passado, não confunda jamais com todo o poder.

E é tão absurda essa tentativa oportunista e desesperada de provar que o ruim pode ser bom.

Deixo as horas partirem, tenho todo o tempo agora que o tempo se esgotou.

Mergulho em mim mesmo, mais alguns graus abaixo da temperatura original.

Estive febril sem saber, fui febril sem saber.

Agora estou melhor adaptado àquilo que o mundo quer de mim.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Dobrando a esquina

O vento queimou seu rosto durante a noite.

As ordens se invertem, ficamos de cabeça para baixo.

De que lado estão as causas e as consequências?

Eles conseguiram o pretexto perfeito que eu nunca conseguiria usar.

No meio da fumaça, a visão fica tão mais clara!

Vão-se os dedos, ficam os anéis.

Os ingênuos adiantam os preparativos para um fim solene.

Dobrando a esquina, surgem novas vontades, ideias e perturbações.

E agora a eternidade parece tão efêmera e perecível.

Eis um mundo de gente que amputa seus membros e almas para caber na caixa.

Eu nunca quis ser assim!

Se o destino está traçado, a vida seria uma bandeja de comida congelada?

No fim, todos somos iguais.

E todos os amores e fúrias tornam-se um interminável silêncio.

domingo, 9 de abril de 2017

No fundo do copo

Em suas mãos, tudo que você esmaga.

Qual foi o erro que cometemos?

Há muitas saídas, onde estão os caminhos?

Tudo muda de aspecto, estamos envelhecendo aqui.

O desajuste pode ser uma dádiva.

Os gestos e gritos foram robotizados, eu tenho carne, tenho sangue.

Você faz o mais fácil só porque parece mais difícil.

As palavras se chocam e estouram como bolhas de sabão.

Sobraram motivos para rir, enquanto lá fora todos estão carrancudos.

As banalidades são as coisas mais importantes, você consegue perceber?

No fundo do copo estão as verdades mais densas que eles costumam jogar pelo ralo da pia.

E é assim que as horas, os dias, os meses, os anos e as vidas vão passando...  

sábado, 8 de abril de 2017

Rabisco no céu

No horizonte, aquilo que não vou alcançar.

Por entre os dedos, nossos vazios.

Por entre as palavras, nossas verdades.

Cada um tem seu lugar destinado, nenhuma afirmação tem qualquer utilidade.

Aqui tenho o suficiente, ninguém pode me entender.

O fim pode apressar ou conformar todas as coisas.

Os medos já não podem preservar ou proteger nada nem ninguém.

Algo muda de dentro para fora, as perplexidades afogam nossos espíritos.

Algo permanece em mim, eu sou a permanência em forma de revolta.

Nos céus, eu rabisco alguma coisa para mim mesmo.

Compro a guerra apenas para ficar em paz por um instante.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Novo dia

Anoiteceu.

Choveu, choveu, choveu.

Pela janela, começam a adentrar meu quarto os primeiros raios de sol.

É um novo dia, é uma nova vida.

domingo, 2 de abril de 2017

Chuva e abrigo

Das minhas lágrimas, chuva torrencial.

No seu abraço, o abrigo, a acolhida, a salvação.

Fico, então, maior.

Minha dor, ela encolhe.

Torno-me, pois, um pouco mais capaz de amar.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Manhã rotineira

Manhã rotineira, todos os tesouros na janela.

Os sons são pontuais, ainda há gente sonhando.

Há vida, há um novo dia.

Saio para caminhar e aprender.

Simplesmente seguindo, eu chego, eu me perco.

Talvez eu não tenha nada para aprender, mas tenho tanto a descobrir.

As verdades se escondem no absurdo.

Talvez o mundo acabe mais uma vez, mas as crianças continuam brincando.

Quem poderá dizer que elas estão erradas?

É mais uma manhã rotineira, e estamos bem aqui.

Posso sentir todas as dores, todos os nós cegos nas gargantas dessa gente.

É mais uma manhã rotineira, logo o trem chega para nos levar.

Posso sentir todas as pazes que reinam nessa nossa simplicidade.

domingo, 26 de março de 2017

Lembretes na pele

Numa lágrima, rio que corre pelos poros, eu me diluo.  

O vento que bate no meu rosto parece me acusar, mas ele só faz uma promessa.

Os lugares pelos quais caminhamos, todos continuam tão bonitos.

De alguma forma, ainda estamos presentes em cada um deles.

Eu me preencho, eu choro, eu sorrio, eu sou um doce sentimento.

Nem tudo é claro, nem tudo é certo.

Seria tão melhor se assim fosse.

Mas cada passo vale a pena, tenha certeza.

Os cortes viram cicatrizes, as cicatrizes viram lembretes na pele.

Em minhas mãos, a transformação contínua de dor em deleite, e de deleite em dor.

Não há como saber o verdadeiro sabor de um sem ter experimentado o outro.

Numa vida que vem, numa vida que se vai, somos um milagre permanente.

Encontramos então a paz no exato momento em que deixamos de procurá-la.

E quando sabemos que não temos mais tempo a perder, passamos a ter todo o tempo do mundo.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Nossas palavras

Nossas palavras se olham de longe.

Nossas palavras se aproximam.

Nossas palavras se atraem reciprocamente.

Nossas palavras brincam como se fossem crianças correndo no campo.

Nossas palavras respiram devagar ao pé do ouvido.

Nossas palavras se abraçam, se agarram, se engalfinham.

Nossas palavras se desviam, se afastam, se juntam, se acariciam.

Nossas palavras dançam, entram em sincronia.

Nossas palavras se beijam, se mordem, se fundem.

Nossas palavras fazem amor e se deliciam.

Nossas palavras se completam, escrevendo lindas frases, contando inesquecíveis histórias.

terça-feira, 21 de março de 2017

Doce andarilho

Caía a noite, o velho homem veio me falar de dor.

Era tão sábio, era tão tolo.

Ele me falou de tudo que quis, de tudo que sentiu.

Viveu tantas coisas, aquele velho homem.

Tanto amor ele sentiu, tantas vezes ele morreu.

Aos poucos, aquele velho homem foi o máximo que poderia ser.

Queimou, queimou, queimou em seus próprios infernos.

Andou pelo paraíso com uma deliciosa brisa tocando seu rosto.

Ele se deu por completo, ele perdeu tudo.

Aquele velho homem se perdeu, aquele velho homem aprendeu.

Ele vaga pelas ruas, guarda todas as riquezas no peito.

Tão grande era seu coração, tão acolhedoras eram suas palavras.

Aquele velho homem sabia amar, e por isso tornou-se refém da solidão.

Era um doce andarilho, que muito chorou, que tudo sentiu, que um tanto sorriu.

E ele errou, e ele cresceu, e ele viveu.

Nada teria valido a pena se não tivesse sido exatamente como aconteceu.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Pedaços de alma

Tantas vezes eu me perdi na estrada escura.

Sim, eu sempre segui o meu coração, mesmo que ninguém quisesse segui-lo comigo.

Já prendi a respiração inúmeras vezes, mas como não respirar mais?

Sim, a solidão quase me trucidou  até que eu conversasse com ela e a entendesse.

Seguro uma rosa, corto meus dedos, sigo em frente.

Sim, ainda ter sangue nas veias é uma dádiva difícil de explicar.

As árvores ganharam vida e me enforcaram quando caminhei pela noite.

Sim, eu prossegui como se nada tivesse acontecido.

Egos e palavras parecem se diluir com rapidez assustadora.

Sim, eu dou importância para as coisas que ninguém vê pelo caminho.

E tudo que é inteiro é violentado, o que se quebra se torna mais presente.

Mas o que são pedaços de alma espalhados no chão, sem essência alguma, sem qualquer importância?

O que são pedaços de alma espalhados no chão, sem identidade nenhuma, sem qualquer esperança?

E no chão, os cacos podem machucar, mas isso é mero detalhe.

Somos melhores não sendo nós mesmos.

Somos melhores sendo piores.

Somos melhores não sendo nada. 

domingo, 19 de março de 2017

Satélite do seu encanto

Garota, vejo você brilhar e me fascino com seus movimentos.

É tão linda a forma como você sorri!

Eu me torno satélite do seu encanto, um admirador de tudo que você é.

Minha pele sente a sua, fico completo na sua presença.

E a cada despedida, meu coração se parte em mil pedaços.

Minha alma é uma ilha em busca de amor.

Muitas coisas lá fora precisam ser melhor compreendidas.

Mas o que eu sinto quando estou com você não precisa ser entendido.

Em seu abraço, eu desfaço o nó que tenho na garganta.

Posso respirar, posso ser um pouco da sua luz.

É só assim que tudo o que faço pode valer a pena.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Um tolo ao seu lado

Por você eu me desenrolo, eu me desenvolvo.

Olhe bem para mim, converse com os meus olhos.

O que estou sentindo é tão verdadeiro, sorria com o meu sorriso.

Tanto se passou, por tanto nós passamos.

Seja minha paz, seja minha oração de todas as manhãs.

Sinta minha respiração acelerada, pegue minha mão trêmula de felicidade.

Caminhe comigo pelo campo, deixe-me colocar uma flor sobre sua orelha.

Talvez eu esteja sonhando, mas não, eu não quero acordar.

Estou preenchido, nunca havia estado em tal estado.

Deixe-me ser um tolo ao seu lado, deixe-me dormir no seu colo.

Por você eu posso enfrentar gigantes e moinhos de vento.

O interminável cinza preencheu-se de cores intensas e brilhantes.

E minha retina experimenta uma nova sensação, tão bonita.

Vejo então algo que sempre busquei e já tinha desistido de encontrar.

Talvez o interminável cinza finalmente tenha se acabado...

quinta-feira, 16 de março de 2017

O infinito já não parece tão distante

Você surge e me faz encontrar a mim mesmo.

Acredite, eu estava tão perdido até você chegar!

Tenho seu cheiro no travesseiro, a mais doce prova de que não estou sonhando.

Dentre todas as horas, escolho aquelas em que estou com você.

O infinito já não parece tão distante, minha estrela me ilumina em plena noite.

Estou viajando pela sua pele, não tenho medo de me perder.

Em meu peito, vibra uma canção que você sussurra em meus ouvidos.

E então eu fecho meus olhos, eu me entrego, eu mergulho em sua alma.

Porque você me acalma, me traz paz, e me mostra a verdadeira vida no brilho intenso do seu olhar.   

quarta-feira, 15 de março de 2017

Maravilhosamente real

Mergulho até as profundezas das suas águas.

A direção nem tem mais importância enquanto sinto o seu frescor.

Em seu aconchego, alcanço a minha plenitude.

Você é tão maravilhosamente real!

terça-feira, 14 de março de 2017

Nas reticências dos anseios

Vidas viram fumaça todos os dias.

São brutais as escolhas que ninguém teve.

No silêncio, o ceticismo asfixia a fé.

Os nós se apertam, os destinos ficam à mercê da escuridão.

O amanhã é um alívio necessário.

Nas reticências dos anseios, a esperança de que o máximo seja suficiente.

As correntes são restos de um banquete cruel e devastador.

Dos céus pode vir a resposta, dos céus pode vir o suspiro da libertação.

Enfim, num abraço está a paz e o milagre de um amor verdadeiro.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Resquícios

Era cedo da manhã.

Acordei, me olhei no espelho, o rosto ainda tomado pelo sono.

As pálpebras pesavam.

Eu me observava despretensiosamente, quando me deparei com a mais grata surpresa.

Entre os pêlos da minha barba, estavam lá resquícios do seu batom rosa.

Um singelo e delicioso modo de me lembrar do quanto eu estava feliz.

domingo, 12 de março de 2017

Longa queda livre

O depois é sempre um coringa, toda uma vida num estalar de dedos.

Esperanças pulsam e transbordam, acalmo meu coração.

Existir é desfrutar sem medo uma longa queda livre até que cheguemos ao nosso chão definitivo.

As sensações se intercalam, como fazer para que as melhores não se percam?

Na solidão, o silêncio é inevitável.

Estamos asfixiando nossos espíritos por uma questão de sobrevivência.

Sinais opostos nas placas da estrada desorientam nossas almas.

Sinto sede, a água congela antes que eu a beba.

Deixo meus pedaços largados do jeito que estão, como se fossem componentes pensados de um cenário perfeito.

Com sorrisos estampados no rosto, pessoas tristes se ausentam de suas próprias vidas.

Eu me ocupo buscando significados onde me dizem que não há significado algum.

Entenda, sem eles eu não poderia viver, apenas vegetaria, tanto quanto tantos que vejo lá fora.

Eu não guardo minha flor, eu aguardo minha flor, para que meu dia cinza possa voltar a ficar em cores.

sábado, 11 de março de 2017

O fim e o começo

O brilho de uma única estrela ilumina todo o ambiente.

Cada centímetro perdido é fundamental e desimportante.

Ganho meu espaço, perco-o logo em seguida.

Congela-se a tolice de um momento indesejado.

Resta a obrigação da resposta que não se quer dar.

Permaneço em meu lugar, incólume.

Viro de vez a ampulheta, não tenho tempo a perder.

Assim é, assim tem que ser.

Ainda não morri, apenas tento não respirar.

É o fim, é o começo. 

quinta-feira, 9 de março de 2017

Minha linda garota

Minha linda garota, tire seus sapatos, corra até mim e me abrace forte.

Aqueles dias tristes de quem não sabe amar já passaram.

Minha linda garota, desabroche seu sorriso para que eu fique admirado.

Com você, sinto o universo correndo em minhas veias.

Minha linda garota, ilumine meu olhar e minha existência.

É tão maravilhoso esse agora, uma pintura para a eternidade.

Minha linda garota, deixe-me beijar seu coração.

O meu está pulsando forte, entregue a esse momento de sentimento puro.

Minha linda garota, seja tudo o que quiser ser.

Seremos dois pontinhos felizes que qualquer satélite poderá flagrar brilhando nesse planeta.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Cores intocáveis no horizonte

Em cada paralelepípedo no qual piso, marco um pouco da minha história.

Meu contraste entre o doce e o amargo dá um sentido a tudo.

No céu azul, nas nuvens brancas, carrego minha plenitude.

Não há nada que me assuste no caminho.

Eu posso ganhar asas e voar, ainda que o mundo se acabe.

São tantas cores intocáveis no horizonte, faço delas minha meta.

A grandeza da vida está em cada dia que eu vivo.

Na simplicidade dos meus sentimentos e sensações encontro meu verdadeiro lar. 

terça-feira, 7 de março de 2017

Caminhos ricos e direções infinitas

No bolso, carrego uma bússola.

Os caminhos são ricos, as direções são infinitas.

Todos os anseios dessa gente que ama tanto cabem no mundo em que vivemos?

Nós somos anacrônicos, e esse é um motivo de imensa satisfação.

As certezas são racionadas, seriam elas tão desnecessárias?

Nossas almas se agigantam em nome de um ímpeto que não nos deixa indiferentes.

Podemos fazer da verdade a luz a nos guiar na escuridão da ignorância.

Estruturas inabaláveis tornam-se tão insignificantes diante da força da nossa natureza!

Nós já fizemos a nossa escolha, ela jamais teria sido diferente.

A apatia que não tira nada do lugar seria fácil e medíocre demais.

segunda-feira, 6 de março de 2017

O milagre que surge da simplicidade

Tantos belos cenários ficaram guardados na memória.

No sinal fechado, a criança faz malabarismo com corações partidos.

Sentimentos de plástico terminam derretendo com o calor que guardamos no peito.

Até que surgem aqueles que não mais derretem ou se destroem.

É aí que encontramos a verdade que nos traz a mais genuína felicidade. 

Na caixa de maneiras ocas de sentir, há aquela preciosidade maciça.

E em minha sorte, encontro todo o amor do mundo.

A gratidão floresce na magia de um rosto que faz a existência mais leve.

De mãos dadas, desviamos sem qualquer esforço dos tiros e bombas que a tanta gente assustam.

E no caminho, não há mais qualquer resquício de medo.

O ar nos pulmões, o peito em disparada, tudo ganha um ar sagrado, poético e solene.

Somos o milagre que surge da simplicidade, de uma manhã que nada precisa prometer.

O que é apenas é, e vive, e responde sem necessitar de perguntas.

Todas as coisas se completam, e dançam com as suas respectivas naturezas.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Jardineiro tolo

Tristeza, fale comigo.

Você surge quando eu menos espero.

Impiedosamente pisoteia meu belo jardim.

Eu sou um jardineiro tolo que precisa amar.

Tristeza, meu silêncio, meu vazio.

Venha aqui matar mais uma parte de mim.

Arranje um outro disfarce e me engane outra vez.

Eu sou a tatuagem de chiclete que desbota com a fricção das unhas. 

Tristeza, traga-me um trago forte que me faça esquecer, que me faça desmaiar.

Deixe-me sangrar com os espinhos da mais bela flor.

Porque toda forma de alegria é sempre prólogo da sua aparição avassaladora.

E que eu me acostume de vez com a sua presença.

E que a constância dessa dor torne-se o próprio bálsamo para ela.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Na linha tênue entre a euforia e a tristeza

Acenda a luz, ficou muito escuro aqui.

Talvez tudo esteja derretendo ao meu redor sem que eu perceba.

A alma se retrai, fica à deriva de seu próprio turbilhão.

Um coração quebrado acumula poeira numa gaveta qualquer.

Para onde não fomos, o que não somos?

Sobrevivo na linha tênue entre a euforia e a tristeza.

Lá fora, os espíritos seguem pela linha larga e segura da apatia.

Experimente o gosto agridoce dessa melancolia misturada ao mais puro bem querer.

Talvez eu me afogue lentamente, talvez eu voe e sinta a liberdade mais plena antes da queda.

Aqui estamos, tão iguais e lutando para que tudo seja diferente.

Ainda há tinta e papel suficientes para que escrevamos páginas felizes nos próximos capítulos. 

E no fim, talvez não precisemos sequer lutar.

Talvez precisemos apenas ser.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Combinação de infinitos

As nuvens são tão solenes quando abrem espaço para a imperial luz solar revelar-se para nós.

Há tantas coisas nessa paisagem, por tudo pelo que passamos.

As melodias vão se transformando e oferecendo novas sensações.

Estamos cultivando e preservando o hoje para termos o melhor amanhã.

A vida floresce nessa terra, e resiste miraculosamente.

No coração, pulsa a vontade pelo gosto doce que atrai pelo cheiro.

Os segundos são longos, as existências são curtas.

É tão bela essa sintonia entre a grandeza e a simplicidade.

Somos uma combinação de infinitos, resultados mais complexos do que a mera soma das partes.

E isso é, por si só, a mais linda das poesias.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Minha melhor versão

Suas ondas me levam para um novo mundo.

É tanta beleza que me inebria sem que eu perceba.

Sua boca é poesia, uma obra que me inspira.

Todos os dias são ensolarados, mesmo quando chove.

Sua pele é a combinação mais sublime de cheiro, cor, sabor e textura.

Podemos perfeitamente mergulhar em nossos sentidos.

Você é a minha plenitude, fórmula harmoniosa de todos os melhores sentimentos.

No seu sorriso, eu encontro a resposta mais simples e certeira para as complexidades da existência.

Encontrei minha melhor versão ao encontrar você.

Todas as improbabilidades tornaram-se a realidade que toco e sinto.

Posso respirar fundo, fechar meus olhos, e sentir a doçura da sua presença atravessando todo o meu corpo.

É tão bom poder ser um tolo enquanto admiro os traços do seu rosto.

É tão bom saber que você existe, garota. 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Vagando em meu refúgio

As imagens distorcidas apresentam um rosto qualquer.

E os chiados me dizem alguma coisa que me confunde. 

É apenas a estática, como se a vida fosse exatamente assim.

Há umas oito horas são sete horas da noite.

Eu despejo todo o açúcar na xícara e estrago minha bebida.

Já vi o mundo acabar um bocado de vezes.

E não me surpreendo com as bolas de fogo e os destroços do lado de fora da janela.

Fico impassível aqui dentro, vagando em meu refúgio.

Restou alguma coisa diferente a fazer?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Flores sobre as carcaças

Todos os túneis foram fechados, ele não tem mais como sair de suas ideias limitadas.

A realidade deformada encaixa-se perfeitamente em espaços que nunca estiveram vazios.

Estão todos surdos, apenas ouvindo seus próprios ecos.

Não existe qualquer ponto a ser provado, ele é uma invenção que não se compreende.

Rouba dos fracos para dar para os fortes, em fetiches que deslocam a percepção do certo e do errado.

Estão todos cegos, apenas enxergando aquilo que querem.

Almas despertam incessantemente, ele se mantém em seu coma indefinido.

Joga flores sobre as carcaças, mas isso não perfuma o ambiente e não disfarça os horrores.

Aceitar seus próprios erros é para os nobres de espírito, mas a nobreza agora é tão demodê...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Singelo pedido

Folhas em branco aguardam tudo o que ainda há para ser vivido.

Nós borbulhamos e deixamos o vento na janela cantarolar uma canção qualquer.

Logo vem a chuva com sua intensa calmaria.

Todos os ponteiros param em homenagem a essa sublime sensação.

O piso de sempre se recobre com as luzes de uma nova noite.

Toda a riqueza é vã quando todos os sentidos estão atravessando o espírito.

A existência se congela como se fosse um quadro, emoldurado pelas nossas mais doces bobagens.

Em cada contorno revela-se um pouco mais do que somos e sempre negamos.

Aos céus entregamos nosso singelo pedido de um amanhã sagrado em sua plenitude.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Mesmo que as estrelas resolvam se esconder

Na fronteira do tempo, a mentira vira verdade.

Nas ruas, pessoas recolhem rastros que ninguém pode enxergar.

Acomodam-se em seu incômodo para fingir que não sentem dor.

O puro e o simples encantam, dando sentido a tudo que virá.

Queremos pouco, só mais um pouco dessa vida à flor da pele.

Entre os vazios, nossos pensamentos se evaporam rapidamente.

A distância é a resistência, uma força maior que nos leva até o fundo da alma.

Somos a permanência em meio a um mundo em frenética transformação.

Há mais, sempre mais.

Aqui estou, mesmo que as estrelas resolvam se esconder.

É assim que serei até o fim.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Mesmo que tudo permaneça silencioso

Mantenha-se em linha reta.

Qualquer desvio pode ser seu fim.

É necessário fazer da incerteza uma certeza.

Conviver com as lacunas que ficam é sempre o maior desafio.

O que será, será, toda antecipação termina por ser uma tolice.

Supere a inquietação torturante, dê mais um passo.

Acenda a luz e deixe as horas passarem.

As respostas chegam por si só, mesmo que tudo permaneça silencioso. 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Tempo gelatinoso

O mergulho é profundo, meus olhos se abrem sem nenhum apego para distraí-los.

É como se eu tivesse percorrido intermináveis filas nevadas sem encontrar uma saída.

O coração sempre é desobediente, lançando a alma em túneis escuros e ruidosos.

Meu tempo é gelatinoso e sem forma, invadindo meus sonhos e escapando por debaixo da porta.

Sinto-me exausto, mas ainda quero um pouco mais.

Pago os prejuízos em cada incompreensão que torna minha vida alheia a mim mesmo.

Abre-se o paraíso, alucinação que me submete no meio do deserto.

Sempre encontro o que não procuro, sempre procuro o que não existe.

Um raio de sol rebela-se por entre o cinza das nuvens.

Já não sei se ele é sinal de esperança ou de tola impotência.

A verdade resume-se a grãos de areia espalhados aleatoriamente pelo chão.

Eu sempre busco a forma que o vento facilmente leva.

O significado de tudo talvez seja o vazio, a ausência e o silêncio.

E cada dia talvez seja um acaso totalmente desprovido de lógica.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Prorrogação do nada

Nada posso enxergar agora, mas isso não tem a menor importância.

De olhos fechados, eu posso ver melhor.

Havia um tempo para desperdiçar, estou agilizando a vida.

Quem ganhou o direito de rastejar na sujeira tem algo para comemorar?

De lado a lado, um risco que se abre falsamente e é incapaz de me enganar.

Justificativas baratas na manga são a prorrogação do nada.

Talvez eu mereça um pouco mais do que isso.

Quebram-se as letras que você não usa, tão obsoletas quanto sua existência.

Não há necessidade de fingir que existe qualquer necessidade para preencher esse vazio.

Pode ser mais útil permanecer inerte, não preciso caminhar nos espinhos que você colocou no caminho.

E tudo como está é tudo que você merece.

Então continue fingindo satisfação com o que tem.

Sempre haverá quem esteja disposto a pagar caro por um engano.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Desfaçatez e ignorância

A carne é guerra, e as flores murcharam.

No chão, o misto de dor e prazer que nos suprime a consciência.

Mais sal na ferida, façamos arder o agora.

Tantos egos inflados se esvaziaram como balões, mísseis no meio do salão.

A vontade é potência e frustração, mudando tudo a cada segundo.

Pedras jamais acariciaram ninguém, então para que continuar mentindo?

As solas dos meus tênis grudam no chão quando tudo acaba. 

Desfaçatez e ignorância são faces da mesma moeda.

Uma coleção de desejos abjetos reveste-se de inocente ilusão.

Por mais que corramos, somos sempre engolidos.

E nunca fomos adeptos desse sacrifício profano que faz todas as almas evaporarem.

Mas isso não tem mais qualquer importância.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Todos os limites são ilusórios

Os caminhos se cruzam.

Mas o silêncio nos atravessa.

Abrem-se os mares.

Mas ficamos estagnados.

Havia um limite estipulado logo adiante.

Mas todos os limites são ilusórios.

Um infinito de possibilidades nos aguardava.

Mas preferimos nem tentar.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Apegos no vazio

Saímos a viajar, não tínhamos nada a nos aprisionar naqueles dias tão limpos.

Muitas vezes, a verdade está logo abaixo da fina camada das palavras.

Uma vontade recíproca e anacrônica invade a imaginação.

O pé no acelerador liberta, a estrada é um fio de navalha.

Conduza-me ao erro, é o que eu quero agora.

Deixe-me fugir dos remorsos que me aprisionam.

Dedos ressecados apontam culpas sem qualquer indício do que um dia nós fomos.

Estamos mais e mais distantes, chegando a um lugar estranho que mais parecia um sentimento.

Onde quer que seja, somos os mesmos e não podemos alterar o curso dos nossos destinos.

A realidade se molda aos desejos para tornar tudo mais frustrante.

Mas permaneço com anseios iguais.

Não posso continuar dessa maneira.

Permaneço tão tolo com esses apegos no vazio.

Então convença-me de que vale a pena continuar exatamente dessa maneira.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Limpe bem seus pés

Tão bonita é a obra que você elogia enquanto sente náuseas no seu íntimo.

Tantas vezes você desperta alguém apenas para não se sentir só em sua vigília.

À disposição, tudo que ninguém pode querer.

Seres rastejantes no chão são o motivo para que seus olhos se desviem.

Mais acima, a admirável solidão parece muito mais atrativa do que uma companhia como concessão.

Quão delicioso é o sabor daquilo que está mofado em um canto qualquer?

Não resta charme algum nessa piedade afetada e mentirosa.

Limpe bem seus pés antes de entrar, há sempre uma utilidade nos objetos que você não ama.

Todas as lições foram aprendidas, sobraram as recusas dos papeis que tentaram nos impor.

Não há nada a perder quando nada foi ganho.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A presença do impossível

Tão rapidamente a estrela cadente atravessa o meu céu.

Nem sempre dá tempo de fazer um pedido.

Havia um sonho escondido nas cenas criadas por uma criança.

Vêm à tona as lembranças de uma primavera que nunca terminou em você, bonita flor.

Uma silenciosa pronúncia pode ser o fim de tudo, o começo em um paraíso.

Sou capaz de me afogar em uma onda que faço questão de beber, com todo o seu doce sal.

Esquecendo quem eu sou, sou o rei do mundo que criei.

Há mais joias e tesouros diante de meus olhos hipnotizados pelo brilho.

Em uma carta de língua exótica, eu já sabia qual era o significado, por ninguém antes traduzido.

No mapa dos anseios mais sagrados, eu já conheço todos os caminhos sem jamais tê-los visto.

As figuras se completam, formando algo novo e ainda mais belo.

O sol é alívio que sempre pode passar do ponto e fazer arder o solo.

É a presença do impossível me faz nascer e morrer todos os dias. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A soma de todos os barulhos

A vida demorou, mas deu uma resposta após um silêncio torturante.

Logo, tudo fica de cabeça para baixo, basta um sopro.

As vontades do fundo da alma às vezes são insuficientes.

Os erros brilham destacadamente enquanto essas pessoas tentam acertar o tempo todo.

Não existe ausência nessa tentativa sem fim.

Os fatos distanciam-se tanto da realidade quando enfeitados pela mente.

Eles sempre são enfeiados pela mente... 

E foi tão bom aquele dia em que existimos sem medo.

Eu me senti tão humano.

E foi tão bom aquele dia em que existimos sem medo.

Eu me senti tão leve.

E foi tão bom aquele dia em que existimos sem medo.

Eu me senti tão significativo.

Mas as expectativas são uma praga.

No topo da montanha, você precisa descer assim que chegou.

A solução está no que é, nos recusamos a enxergar.

Nossos espíritos regressam e regridem a um ponto anterior à partida.

Nesses rostos não nos reconhecemos mais.

Mas nada mudou tanto assim. 

Não é difícil saber onde se está, mesmo sem saber como se chegou.

Agora o silêncio é a soma de todos os barulhos.