domingo, 27 de novembro de 2016

Vontade de fingir inexistências

Na parede da sala, um quadro feio e sem qualquer sentido não me deixa desviar o olhar.

Bem no íntimo, não é possível que as coisas pareçam certas.

Os pesos e medidas mudam de acordo com as conveniências que você insiste em esconder. 

Pensamentos tortos e falsamente sofisticados são a água suja na qual a razão se afoga.

Não há amor nessa doença que nos sonega o mundo como ele é.

Estamos dividindo tudo que não queremos ter.

Nenhum malabarismo será suficiente para me convencer ou calar.

O que você quer ficou oculto por baixo de palavras irrecusáveis.

A ignorância foi uma escolha compreensível e covarde.

Tudo que de você discorda o agride, você agride tudo que de você discorda.

Podemos poupar tempo, há uma vantagem nessa vontade de fingir inexistências.

A farsa fica guardada para os devaneios que forçam os fatos e negam a realidade com um brilho nos olhos.

Mas os egos ficam a salvo, a verdade tornou-se um mero detalhe incômodo.

Você se mantém em sua esquizofrenia, regando flores de plástico todas as manhãs. 

2 comentários:

CÉU disse...

O ser humano é tão complexo. Excelente post, Bruno!

Beijos e boa semana.

Bruno Mello Souza disse...

Obrigado pela visita, Céu!

Beijos e boa semana pra ti também.