sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Sob o véu do sorriso

Mudam as texturas, mas a verdade não muda jamais.

O roteiro é o esperado quando tratamos de uma manada previsível.

De uma mesma fonte, a mesma água contaminada tenta nos adoecer e matar.

Sob o véu do sorriso revelam-se o ódio, a saliva espumosa, e o desespero.

Nas ruas, levanta-se um cheiro fétido do desprezo daqueles que não conseguem mais se esconder nas entrelinhas de uma fórmula barata.

Da realidade, urticárias afloram e incomodam todas as crendices derrotadas pelo tempo.

Desviar o olhar não vai amenizar o mal-estar.  

Palavras belas e sagradas são cuspidas e vendidas em pocilgas por poucas moedas.

Nas gavetas estão escondidas as vergonhas e os interesses que não se pode mostrar.

Observo ao meu redor, e firmo ainda mais minhas convicções.

Vejo apenas a confirmação de tudo o que eu já sabia.

Mas estar com o peito leve não significa que eu esteja satisfeito.

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