segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Espelhos da consciência

A manada vira as costas para uma realidade que grita desesperadamente.

Nós cegos, uma conexão ilógica prende os pés a uma ilusão enferrujada.

Fica bem para todos manter a uniformidade forçada dessa massa sem sabor.

Vaidades dançam e queimam em frente aos espelhos da consciência.

Estômagos vazios e revoltados trazem recordações distorcidas do bom gosto de outrora.

O desespero aprisionado numa calma fingida tenta sua fuga por cada poro da pele arrepiada.

Já não importa o que é, apenas o que aparenta ser, por entre as frestas das janelas de uma edificação torta e prestes a desabar.

As palavras tornaram-se barulhos sem qualquer significado.

Almas desnudas e constrangidas marcham para o suicídio no abismo mais alto.

Sonhos e pesadelos podem se confundir de acordo com os olhos que os observam.

Quebro as correntes, abro meu peito e me deixo renovar por meio da sangria que ali brota.

O riso lá fora já não é feito de graças, apenas de conveniências.

Por isso, não sinto a menor vontade de rir.

Todos os significados e vidas ficam minúsculos quando observados à distância, eu sei.

Mas isso não quer dizer que eles não tenham importância diante desse egoísmo megalômano. 

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