sábado, 24 de setembro de 2016

Carros de som

Porto Alegre é a capital mundial da poluição sonora. É impressionante.

Tem carro de som pra tudo. O dia inteiro. 

É carro de som pra vender travesseiro, água, gás, sorvete, ovo, amaciante, pão, bolo, supositório, chiclete, band-aid, camiseta, celular, cd do Luiz Caldas, palito de fósforo, toalha, grampeador, relógio, suco, pneu, microfone, escultura do Tonho da Lua, churrasco, tomate, cebola, repolho, charuto, dicionário, nebulizador, tapa-olho, tapa-sexo, quadro do Picasso, meias, negrinho, sutiã, bijuteria, urna funerária, dominó, livro do Carpinejar, camisinha, vassoura, político ruim, aipim, Tamagochi, taco de baseball, ingresso pro Beto Carreiro, batom, pomada para hemorroidas, bolinho de bacalhau, áudio-book da bíblia narrada pelo Cid Moreira, algodão doce, conserto de gaita, lápis de cor, foto autografada do Theo Becker, dentadura de vampiro, abadá do trio elétrico da Banda Cheiro de Amor, esponja, pochete, mamadeira, crack, esperma congelado do Walmor Chagas, granola, harpa, guardanapo, computador, bala de goma, lubrificante para motor e grelha do George Foreman.

Tem carro de som até pra vender carro de som.

E sempre, sempre, independentemente do produto a ser comercializado, tocando algumas das maiores abominações já produzidas pela música brasileira.

Porque carro de som tem que ter música ruim. 

E como esses carros passam durante o dia inteiro, se algum dia sair um filme sobre a minha vida, ele certamente terá na sua trilha sonora verdadeiros hinos como "Whisky, Red Bull, Passa Tudo no Cartão", "A Mala Já Está Lá Fora", "Na Manteiga", "Popozuda da Vila" e o "Lacre Azul do Cachorrinho".

Assim é a vida.

Permanecerei no aguardo de um, apenas um, carro de som: aquele de um advogado que passe prometendo processar todos os carros de som de Porto Alegre.

Esse realmente me comoverá. Não importa nem se estiver tocando "Martela o Martelão" ou "Tchê Tchererê Tchê Tchê"...          

Nenhum comentário: