domingo, 17 de julho de 2016

Sangue quente

No chão, o sangue quente borbulha para mostrar o resultado do que somos.

A destruição é a ordem, não existe mais saída possível.

Persistimos chicoteando nossas próprias costas, num auto-sacrifício que não redime ninguém.

O som da sirene e o desespero não comovem mais do que a tentativa desesperada de comprovar uma razão inventada.

As flores que você trouxe não são suficientemente perfumadas.

Mentiras vão nos asfixiando, estamos cada vez mais enclausurados.

Aplausos cegam, retomei minha visão e meus olhos estão doendo.

Não me importo com nada mais do que aquilo que ficou aqui.

Você se deixa ser sangrado lentamente e ainda está pedindo desculpas pela sujeira.

Sua liberdade é escravidão.

Seu amor é o alimento do ódio mais desumano.

E quando o sangue borbulhante secar no piso, você mais uma vez vai pensar que não passa de tinta vermelha indicando um novo e tolo caminho. 

2 comentários:

Vanessa Dias disse...

Muito forte esse texto (e verdadeiro).

Eu estou com um projeto de uma carta de amor, se puder dar uma olhadinha.. :D
http://l-desconhecido.blogspot.com.br/2016/07/a-carta-para-ela.html

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado pela visita, Vanessa.

Vou ver a carta, com prazer.

Beijos.