sábado, 9 de julho de 2016

Folhas secas no chão

Quando compartilhávamos aquela mesa, sabíamos que duas solidões não formam uma união.

Mas eu podia me sentir tão completo, mergulhado em sua lágrima, embriagado pelo sabor salgado.

Nós buscávamos algo intangível, estávamos condenados à insatisfação eterna.

Fugíamos um do outro, sedentos de proximidade.

E era sublime quando nos deixávamos revelar, rindo e sentindo pelas frestas que a vida oferecia.

Poucos centímetros poderiam ter selado um destino diferente.

Estávamos extremamente confortáveis entregues ao desconforto do erro.

Precisávamos nos socorrer e deixar que o silêncio fizesse sua parte.

O incêndio nos consumiu e adormeceu.

Restou ainda algo vivo para nos aquecer enquanto sonhamos.

As perguntas já cicatrizaram, e a pele é apenas uma testemunha muda.

As respostas são folhas secas no chão, retratando a quietude que permanece.

Nenhum comentário: