sábado, 4 de junho de 2016

Realidade mastigada

Na parede, a marca de quem um dia eu fui.

Minha expressão não muda, meu espírito está em perfeita ordem.

O tempo me moldou assim, capaz de permanecer pacífico em meio ao caos.

Inverteram-se as lógicas, e temos que partir do ponto de chegada.

As coisas mais fáceis exigem o maior sacrifício.

Basta esperar que tudo permaneça exatamente como está.

Um avião no céu leva consigo meus sonhos para um lugar melhor.

Fico com a realidade mastigada, acomodado em um canto sem prazer e sem martírio.

Com as luzes apagadas, sou mantido refém dos ruídos, toques, cheiros e gostos.

Posso ver mais coisas do que nunca, minha mente não quer parar.

Na gaveta do quarto, guardo todas as cartas que desisti de escrever.    

Meus sentimentos são papeis em branco, esperando por um conteúdo a ser inventado.  

2 comentários:

CÉU disse...

Desejo de partida, como se ave fosses, Bruno.
Lindo e realista.

Beijos.

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado, Céu.

Beijos.