quinta-feira, 30 de junho de 2016

Catálogo de ilusões

Cacos afiados adentram a pele dos meus dedos.

Sempre foi difícil comprar uma verdade forçada.

Estou em comunhão comigo mesmo.

Mas tenho necessidades que já não podem esperar.

Tenho um catálogo grande de ilusões para passar o tempo e mentir para mim mesmo.

A dor em doses homeopáticas quase não é sentida.

Vou fazendo o revezamento, varrendo as angústias novas para baixo do tapete.
  
Vou fazendo o revezamento, maquiando angústias velhas como se fossem esperanças.

Por isso me sinto bem mais confortável.

As palavras mais fáceis se tornaram difíceis.

Elas jorravam pela boca, mas a fonte secou.

Sei bem como fazer da instabilidade a minha estabilidade.

Desse jeito posso me tornar caricatura e rir de tudo que sou.

Tantos foram os sentimentos sem sentido.

Tenho muita vergonha, mas não peço perdão.

Apenas precisava de um lugar para deitar e descansar.

Eu me engano, eu não olho, eu não escuto.

Eu quebro o espelho que mostra quem eu me tornei.    

E deixo os cacos afiados adentrarem e pele dos meus dedos, tornando-se parte de mim.

Finalmente foi criada a intimidade que eu tanto quis durante cada segundo da minha vida.

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