terça-feira, 3 de maio de 2016

O mimimi do "anti-futebol"

Após a classificação do Atlético de Madrid para a final da Liga dos Campeões, instaurou-se o mimimi dos críticos da estratégia de Simeone. "É anti-futebol!", alguns bradam, fazendo peitinho de pombo. "Ain, mas e o futebol bonito?", choramingam outros, sentados em posição fetal, encostados na parede gelada do quarto.

O indivíduo tem todo o direito de não gostar do futebol praticado pelo time de Simeone. Assim como eu posso não gostar da cara do indivíduo que diz essa bobagem do "anti-futebol". Mas isso não torna o futebol do Atlético de Madrid "anti-futebol". E não torna o sujeito de cuja cara eu não gosto uma "anti-pessoa". Posso gostar de churrasco e não gostar de salada de vagem. Isso não torna a salada de vagem uma "anti-comida". Posso gostar de rock e achar a bossa nova uma chatice monstruosa com potente capacidade sonífera. Isso não transforma a bossa nova em "anti-música".

Não tenho nenhum problema em assumir que prefiro um futebol propositivo, pra frente, criando dúzias de chances de gol. Mas não posso ser arrogante ao ponto de achar um estilo que não me agrada como a antítese do futebol. Pelo contrário, pode ser muito bacana para quem aprecia o esporte bretão com todo o seu amplo leque de possibilidades táticas e estratégicas. Quando um sistema defensivo funciona tão bem, tão harmonicamente quanto o do Atlético, particularmente acho maravilhoso. Há diferentes belezas no futebol.

Para os iniciantes, devo informar: o futebol é feito de ações ofensivas e defensivas. São diferentes as estratégias, são diferentes os estilos. Alguns são mais agradáveis. Outros são mais enfadonhos. Uns são vencedores jogando feio; outros são perdedores jogando bonito. Uns são perdedores jogando feio; outros são vencedores jogando bonito. 

Sabe o que acho muito mais feio no futebol? Estratégia mal executada. Isso é feio demais. Time retrancado que oferece milhares de chances de gol para o adversário. Time entupido de atacantes que não consegue chutar uma mísera bola à meta rival. Isso, sim, é feio pacas. 

Se a turma do mimimi do "anti-futebol" não consegue compreender tudo que está implicado no próprio futebol, suas regras, dinâmicas e maneiras de funcionar, talvez não seja futebol o que esses "gênios" querem. Desejam outra coisa que não é o futebol. E aí é problema deles. 

De todo modo, como sou uma pessoa extremamente solidária e altruísta, deixo uma sugestão a estas mentes brilhantes, iluminadas e parnasianas, para que satisfaçam seus desejos estéticos ardentes: criem um novo esporte, o "jogabonitobol". Nele, não importa quantidade de gols marcados ou sofridos. Na verdade, nem se faz necessário que se faça a contagem de gols. Atribuam pontos a dribles, elásticos, janelinhas, embaixadinhas. 

Claro, não vai mais ser exatamente o que nos acostumamos a chamar de futebol, porque perderá o elemento principal: quantidade de gols marcados versus quantidade de gols sofridos, esse criteriozinho bobo usado para definir os vencedores das partidas, que fez o Leicester ser Campeão Inglês, que faz o Atlético competir em pé de igualdade com Barcelonas e Bayerns e que, pelo menos até hoje, se constituiu como base e essência fundamental desse esporte. Mas tudo bem, afinal, que importância tem quantidade de gols marcados e sofridos, né? É coisa de gente antiquada! 

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