segunda-feira, 2 de maio de 2016

Estranhos

Já não consigo reconhecer o lugar onde estou.

Agora somos estranhos um ao outro.

O tempo renova e degenera quem fomos e quem somos.

Minhas ambições estão escondidas sob sapatos sujos e fétidos.

Idas e retornos não mudam nada a respeito das nossas vidas.

Tudo está em jogo e pode ser perdido a qualquer momento.

Tudo está em jogo e mesmo quando ganhamos, nunca temos nada.

Em dias tão distantes, tínhamos tanto para dizer e sentir.

Agora sobraram apenas lembranças vagas se decompondo lentamente.

Adiamos o que queremos ser em nome do que nunca seremos.

O amanhã é uma promessa sedutora que nos livra de um hoje vazio e frustrante.

E eu sinto o gosto mesmo sem jamais ter provado.

Ninguém poderá me dizer que não é real, porque ninguém nunca poderá saber.

Então eu me deixo diluir e morrer mais um pouco, para poder nascer novamente.

2 comentários:

Franciéle Romero Machado disse...

Amei esses versos, nossa e o final mais perfeito ainda..Um estilo poema/prosa e uma conversa interior. E tantas coisas mudam, tantas decisões nos são impostas e não sabemos qual direção tomar embora tenhamos apenas uma única escolha. Reconhecemos com estranheza, escolhas as quais deixamos para trás, mas ao mesmo tempo sabemos o peso de cada decisão e o que deve ser feito.

Destaco os trechos que mais gostei:
"Adiamos o que queremos ser em nome do que nunca seremos."
"Então eu me deixo diluir e morrer mais um pouco, para poder nascer novamente."

Abraços e uma boa noite poeta!!

Bruno Mello Souza disse...

Querida Fran, muito obrigado pela visita e pelo comentário. Fico feliz que tenhas gostado.

Abraço e bom dia pra ti.