terça-feira, 12 de abril de 2016

Salamanca: uma cidade, uma saudade

Era 13 de abril de 2015. Meu último dia em Salamanca. Chegar e partir de Salamanca é marcante. O ônibus, chegando ou partindo, faz o trecho mais próximo ao casco histórico margeando o Rio Tormes. É uma imagem deslumbrante. 

Para quem chega, é como se a cidade lhe recebesse com um grande sorriso. Para quem parte, é como se ela se despedisse com os olhos marejados. E como eu não marejaria os meus quando, aos poucos, aquele ônibus se afastava daquele cartão postal que é a visão oferecida pelo Tormes?

Já faz um ano que voltei. Mas é como se isso não tivesse acontecido. Meu corpo voltou de Salamanca. Mas minha alma ficou lá. 

Nada daquilo torna-se remoto. Meu coração aperta. É amor em estado puro por uma cidade que eu abracei e que me abraçou forte. 

Salamanca me traz lembranças muito vivas. Das mais deslumbrantes às mais banais. Da Plaza Mayor a uma noite de sábado lavando e estendendo roupas na residência em que eu viva. Da extraordinária catedral às comprinhas de queijos, chocolates e cervejas no Carrefour. 

Eu aprendi muito enquanto estive por lá. Foi o período mais feliz da minha vida. Eu me sentia abençoado. Era com prazer que eu dava minhas caminhadas de sábado. Explorava as ruas, todas plenas de beleza. Tomava milk shakes, cervejas, sorvetes de doce de leite argentino, comia tapas de batatas como molho aioli, kebabs e sanduíches de frango com queijo. 

Conheci muito mais de mim mesmo. Cresci, amadureci. E esperava da realidade vindoura uma realidade diferente. Na verdade, era eu, e só eu, quem tinha mudado. Mesmo essa consciência posterior me fez melhorar. 

Não foram poucas as vezes em que, sentado de frente para a catedral, agradeci pelo destino que ali eu podia sentir e viver. 

Foi muito difícil me despedir. Ainda é. A saudade que sinto de Salamanca, a saudade que sinto de mim mesmo, a saudade que sinto de como eu me sentia lá, é absolutamente aterradora. Para mim, sempre será a cidade mais linda, mais aconchegante, mais amorosa do mundo. Vivo de flashbacks. Recordo cada rua, cada pequeno contentamento, as lojinhas, as aventuras e desventuras, o sol de quase dez da noite no início da primavera, o frio do inverno, a paisagem da janela do meu quarto. Até a solidão era bonita. 

Por mais que eu escreva textos e poesias recordando Salamanca, jamais me aproximarei de representar a beleza que Salamanca exala. Porque nenhuma poesia estará à altura de Salamanca. Porque Salamanca é a própria poesia

Salamanca foi um lindo caso de amor. Foi meu paraíso em vida. Não há como explicar o significado que essa cidade teve e ainda tem para mim, para quem hoje eu sou. Só posso sentir. Eu saí de Salamanca. Mas Salamanca não saiu de mim. Jamais sairá.    

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