quarta-feira, 27 de abril de 2016

O Gremista da Selfie

Já passava dos 40 minutos do segundo tempo de uma partida trágica do Grêmio, em sua casa.

O time levava uma verdadeira saranda do Rosário Central.

Roger, o aclamado, levava um nó tático de Coudet. Um nó cego.

Eis que, na tela da tv, em meio àquele ambiente de extrema tensão, desconsolo e desilusão, surge um personagem.

No frio, no relento, lá estava ele, sem camisa, fazendo selfies com poses, e caras, e bocas. Uma espécie de Nana Gouveia gremista e sem ser gostosa.

À primeira vista poderia parecer grotesco. Era como algo recortado e colado totalmente fora de seu contexto original. Um meme vivo. 

Mas aquele homem... Aquele homem, amigos, não é motivo para galhofas: é, isso sim, uma verdadeira lição de vida.

O Gremista da Selfie traz em si um significado que talvez poucos possam compreender. 

Possui um conteúdo existencial e histórico. 

Aquele homem é o símbolo do torcedor que se acostumou.

Ele sabe o trágico destino da eliminação, dos anos e anos sem títulos de expressão.

E ele aceita. Faz do limão uma limonada. E mesmo na derrota, já costumeira, ele vive! Ele aproveita!

Carpe diem!

Dane-se a profunda tristeza gremista daquele momento. Ele está acima da dor. Está acima das condições mundanas e efêmeras de vencedores e derrotados.

O Gremista da Selfie está em uma outra vibração energética. 

Em termos davidcoimbrianos, é possível tranquilamente afirmar que se trata de um ser humano superior. Como o Tcheco.

A tragédia, quando repetida, quando tornada padrão, deixa de ser tragédia para transformar-se em mera rotina. E aí, já nem causa mais sofrimento.

Aquele homem sem camisa fazendo poses para fotos como se nada acontecesse naquela Arena tomada de angústia e frustração, percebeu isso. É um ser humano à frente do seu tempo. Deu seu grito de libertação.

Eu não tenho a menor dúvida: o Gremista da Selfie é o novo torcedor-símbolo tricolor. 

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