domingo, 17 de abril de 2016

Fumaça do café

Café quente sobre a mesa.

Com a fumaça, meu pensamento se esvai.

Está na lágrima que secou, no olhar que se foi.

Nos dias de náusea, nos caminhos desconhecidos.

Está no arrepio da pele, nos erros recorrentes.

Na areia sob os pés, nos retornos esperançosos e vazios.

Está nas asas de anjo, no céu decorado pelas nuvens brancas.

Na alegria do afeto, na transformação libertadora.

Está nos desejos ressecados, nos anseios que se tornaram tolices.

Nas palavras sem sentido, no efeito anestésico findado.

Está nas promessas, nos sonhos e expectativas.

No espelho quebrado, na realidade que se revela.

Então eu volto a mim mesmo, sentado sozinho à mesa.

O café já esfriou.      

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