sexta-feira, 29 de abril de 2016

Conversando com o tique-taque do relógio

O silêncio está agarrado a todos os corpos.

Parte das entranhas e conversa com o tique-taque do relógio.

O silêncio acaricia e arranha a pele.

É a conformidade com o que se foi e a angústia incerta do que está por vir.

O silêncio é a comida fria servida num prato raso.

É o garfo passando seus dentes na superfície da louça, e a mastigação vazia enganando o estômago.

O silêncio está na revolta que se cansou de tudo e foi dormir um sono irriquieto.

Ele acalma com uma arma apontada para a própria cabeça. 

O silêncio chegou sorrateiro, sem prometer nada e descumprindo todas as ilusões geradas no seu vácuo.

Ele pode ser paz, ele pode ser guerra, ele pode ser tudo, ele pode ser nada.

O silêncio vai cantando o passar de mais um dia cinza, gelado e sem sentido.

Soma palavras desconexas que a mente desistiu de tentar compreender.

O silêncio, ora glória do dever cumprido, ora fracasso de uma alma solitária.

Companheiro generoso e brutal, compartilhando pensamentos ébrios e constatações lúcidas apenas para me distrair.

O silêncio abraça o som e a fúria.

E mantém firme a tola batalha interior para prosseguir.    

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