quinta-feira, 14 de abril de 2016

A carta que ele nunca escreveu

Na carta que ele nunca escreveu, há uma saudação amistosa.

E recordações das tardes aproveitando a sombra da árvore.

Na carta que ele nunca escreveu, há lugares para os quais não gostaria de voltar.

E brincadeiras que ficaram pelo caminho e deixaram suas marcas.

Na carta que ele nunca escreveu, há um zigue-zague ébrio pelo meio da avenida.

E dias que nunca terminaram de verdade.

Na carta que ele nunca escreveu, há uma primavera trazendo flores.

E o amor que não teve a chance de viver.

Na carta que ele nunca escreveu, há um pedido de casamento.

E os filhos correndo no pátio, toda a paz concentrada num sonho.

Na carta que ele nunca escreveu, há uma sombria caminhada em dia de chuva.

E os dias pesados de profunda solidão e desalento.

Na carta que ele nunca escreveu, há uma declaração de amor desenfreado.

E os passos em falso que lhe fizeram tropeçar e cair tantas vezes.

Na carta que ele nunca escreveu, há uma despedida de quem não quer partir.

E um fechamento não explicado pelas reticências...  

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