quinta-feira, 10 de março de 2016

A menina dos mandolates

Eu estava no terminal esperando meu ônibus quando algo me chamou a atenção. Uma menina, devia ter entre 10 e 12 anos de idade, não mais do que isso, passava para lá e para cá vendendo mandolates. 2 por 1 real. Ninguém prestava muita atenção nela, mas por algum motivo, eu prestei. 

Ela não vendeu um sequer, e passou umas duas vezes por mim. 

Eu cogitava comprar, mas hesitava pensando "Mas isso está errado. Ela não devia estar fazendo isso. Deve ser explorada pelos pais. Não posso incentivar isso". 

Mas na terceira vez que ela passou, não resisti. Minha vontade era mais forte. E então peguei a nota de 2 e lhe pedi quatro mandolates. Os olhos dela brilharam, de uma maneira que realmente me impressionou. E sorrindo, ela me entregou, um a um, os quatro mandolates.

A razão pode dizer que eu estava errado. Mas o que isso importa? O que fiz não foi nada. Aqueles dois reais não me tornaram mais pobre. Pelo contrário, me senti um tanto enriquecido. Aquele brilho no olhar da menina dos mandolates, que eu não sei se significavam alegria, alívio, satisfação ou esperança, foi dessas coisas que fazem o dia valer a pena. 

O que fiz, repito, não foi nada. E provavelmente 20 ou 30 segundos depois, ela estaria de volta à sua dura realidade. Mas se por 20 ou 30 segundos eu pude torná-la mais alegre, aliviada, satisfeita ou esperançosa, se eu pude trazer algo de bom para aquela vida, por mais efêmero e minúsculo que tenha sido, para mim valeu a pena.

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