sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O silêncio que não é de paz

Essa rua não é sua, essa rua não é minha.

Prepare sua cabeça e reze para todos os seus santos.

Cada esquina é uma armadilha mortal.

Mantenha a atenção e não olhe para trás.

A vida não vale mais do que alguns trocados.

Caminhe rápido, torça para que não lhe vejam.

Cada beco pode ser o fim da linha.

Aqui não há lei, e você está à mercê desse cenário.

Então pare de fingir que está tudo bem, pare de fingir que somos livres.

Poças de sangue quente misturam-se à urina nesse chão fétido.

Salve sua alma, salve-se se puder.

Esse silêncio não é de paz.

Essa quietude é apenas a tensão que antecede os estouros.

Esse silêncio não é de paz.

A calmaria nervosa é o prólogo de mais um grito, em mais uma noite.

Porque nós somos banais, tudo aqui é banal.

E alguém está vivendo seus últimos segundos exatamente agora...   

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