terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Milagre fugaz

Faça o que bem entender, porque eu estarei dormindo.

Não tenho motivos para ficar lhe ouvindo agora.

Eu gosto tanto de quando a noite chega e eu posso fechar meus olhos.

O sono é reconfortante quando não tenho nada para explicar.

E quando você fingia se divertir, aquilo era desespero ou medo da solidão?

Nossos papeis em cada ato sofrem mutações convenientes.

Sempre foi mais fácil não ver, sempre foi mais fácil não escolher.

Eu gritava em meu silêncio, e você fingia não me escutar.

Já não existem ameaças do lado de fora quando sabemos que o fim chega, cedo ou tarde.

Então você pode me deixar sozinho assim mesmo, porque não me importo.

Olhe para as veias, não somos mais do que esse bombeamento permanente.

Nada se perde quando nada se ganha, você tentou me ensinar.

Mas nunca aprendi nada a respeito disso.

Acredite em mim, sou um milagre fugaz, exposto o tempo todo.

Eu fico aqui dentro esperando o que você resolver.

Mas me deixe cochilar enquanto nada de novo acontece.

Me deixe descansar, já que de novo nada aconteceu. 

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