sábado, 6 de fevereiro de 2016

Bial num encontro amoroso

Bial e a namorada, jantando à luz de velas:

- Tá bom esse salmão, né?
- Sim, querida... 
- Eu gosto desse tempero, como se chama mesmo...?
- Ah, querida, desculpe interrompê-la assim. Mas preciso lhe dizer... Preciso lhe dizer agora, só agora, inescapavelmente agora. Preciso lhe falar desse anseio, dessa força. Desse turbilhão que toma conta do meu âmago, dessa necessidade incontrolável, desse algo que não posso deixar de sentir. É aquilo que me mexe e remexe por dentro. Turva minha visão. Invade minha mente, minha alma, meu coração. É esse querer que parece transbordar, que me faz suar frio, que ao mesmo tempo me paralisa e me inquieta. Ah, querida, e quais palavras posso usar para expressar isso com a devida precisão, e...
- Você tá querendo cagar, né?
- Sim, sim... Isso.
- Vai lá. Depois continuamos com o salmão.
- Obrigado, meu bem.

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