quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Vivendo uma distopia

O dia cheio de fumaça faz os rostos desaparecerem.

Eles desaparecem o tempo todo.

Mentiras descaradas são as explicações nas quais todos parecem acreditar.

O que é certo dizer? O que é certo pensar? O que é certo sentir?

Já não é preciso nem perguntar, miolos são massa fria e inútil num pote jogado na geladeira.

Dê-me a receita pronta e com gosto de cinzas.

A linha é tão estreita que não cabe mais raciocinar.

Toda benevolência tornou-se uma farsa nauseante.

Não há nobreza alguma nos favores oferecidos em troca de aplausos.

Nas ruas, o lixo, a sujeira e o abandono aos ratos.

Nas janelas, os olhos que nada enxergam monitoram cada pequeno movimento nesta monotonia.

O sol do meio-dia é meia-luz.

A degradação fede, o mundo é uma bolinha de papel no fundo de uma caixa esquecida.

Esqueça os livros, esqueça a ficção.

Estamos vivendo uma distopia exatamente agora.

2 comentários:

Cristina Sousa disse...

Olá Bruno

Gostei de conhecer o teu espaço.

Bom fim de semana

Beijo

Bruno Mello Souza disse...

Olá, Cristina.

É um prazer imenso receber tua visita por aqui. Estás convidada a voltar sempre que quiseres.

Bom fim de semana.
Beijos.