quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Navios e amores

Você possui tentáculos que tudo tentam abraçar.

Você está me asfixiando, você está me matando.

Qual outro pedaço de mim você fingirá que é seu?

Qual parte do que eu sou você usará como adorno na próxima noite?

Eu perdi minha própria identidade enquanto lhe olhava de longe.

Sim, parecia que eu estava tão perto...

Eu perdi minha dignidade enquanto meu mundo se acabava.

Sim, parecia que eu era maior diante disso...

Então não tente ter o que não quer ter.

Não, não tente ter o que não pode ter.

Você sabe que com a necessidade vêm suas lembranças.

Não julgue seu próprio merecimento, eu não serei o dono deste papel.

Eu estava me martirizando na esperança de não ganhar nada.

Mas posso flutuar aproveitando o imenso vazio em meu peito.

Não preciso que você brinque de preenchê-lo.

Velhas palavras apodreceram dentro da sua boca.

Então engula-as, ou cuspa-as de uma vez.

Não se preocupe, eu nem me lembro mais de como era a sensação de ouvi-las.

Navios e amores partem no horizonte do mar.

Eu virei as costas para tudo isso.

Fui embora, lentamente, e você nem percebeu.

4 comentários:

Alice Twins disse...

Olá Bruno,
Como vai?

Ficou lindo aqui, lay novo. :)
Uma pena quando a pessoa não percebe que está perdendo o amor da sua vida.. a vida é muito curta..

Um beijo,

http://alicetwins.blogspot.com.br

CÉU disse...

Os navios partem e voltam.

Bom final de semana, Bruno!

Beijos.

Bruno Mello Souza disse...

Bom fim de semana pra ti também, Céu.

Beijos.

Bruno Mello Souza disse...

Obrigado, Fernanda!

Beijo.