domingo, 31 de janeiro de 2016

Amores póstumos

Não consigo ver sequer um palmo à minha frente.

Mas preciso parar de olhar para trás.

Erros são como ímãs, eu estou lutando como posso.

Não sei quando é você quem está falando.

Não sei em quais palavras eu devo acreditar.

Porque as prioridades estão sempre no fim da lista.

E a lista nunca chega ao seu fim.

Você pede que eu não vá.

Mas você nunca me convida para ficar.

Há uma lacuna bem clara em tudo o que fazemos.

E as nossas vidas são feitas daquilo que deixamos de fazer.

Já não consigo lhe convencer de que este não é o fim.

Porque nem eu estou convencido disso.

E se um dia o futuro existir, teremos recordações para inventar?

Sim, os ossos e a poeira escondem uma porção de sentimentos.

E as cartas trazem à vida amores póstumos.

Risos ecoam nesse silêncio, tente ouvir com bastante atenção.

Fragmentos do que um dia fomos ainda passeiam pra lá e pra cá em cada esquina na qual caminhamos juntos. 

2 comentários:

CÉU disse...

Deliciosas e inteligentes contradições.
Adoro ler o que tu escreves!

Beijos e boa semana, Bruno!

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado, Céu!

Beijos e boa semana pra ti também!