domingo, 31 de janeiro de 2016

Amores póstumos

Não consigo ver sequer um palmo à minha frente.

Mas preciso parar de olhar para trás.

Erros são como ímãs, eu estou lutando como posso.

Não sei quando é você quem está falando.

Não sei em quais palavras eu devo acreditar.

Porque as prioridades estão sempre no fim da lista.

E a lista nunca chega ao seu fim.

Você pede que eu não vá.

Mas você nunca me convida para ficar.

Há uma lacuna bem clara em tudo o que fazemos.

E as nossas vidas são feitas daquilo que deixamos de fazer.

Já não consigo lhe convencer de que este não é o fim.

Porque nem eu estou convencido disso.

E se um dia o futuro existir, teremos recordações para inventar?

Sim, os ossos e a poeira escondem uma porção de sentimentos.

E as cartas trazem à vida amores póstumos.

Risos ecoam nesse silêncio, tente ouvir com bastante atenção.

Fragmentos do que um dia fomos ainda passeiam pra lá e pra cá em cada esquina na qual caminhamos juntos. 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Movimente-se

Movimente-se.

Um pouco que seja, movimente-se.

Mesmo que doe, movimente-se.

Ainda que o tempo lhe esmague, movimente-se.

Movimente-se.

Um pouco que seja, movimente-se.

Mesmo que já não acredite, movimente-se. 

Ainda que o fim pareça próximo, movimente-se.

Movimente-se...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Qual...?

Qual o seu espaço?

Qual o seu lugar nesse mundo?

Qual o gosto que você sente?

Qual o grito que você sufoca na boca do estômago?

Qual sentido?

Qual amor lhe estrangula?

Qual máscara lhe esconde?

Qual futuro?

Qual pessoa?

Qual céu?

Qual estrela?

Qual dia?

Qual hora?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Olhando para o teto

Eu olhava para o teto, e tentava compreender o que não se passava.

A dor atravessava a carne, eu mal podia me olhar.

Não, eu jamais poderia saber, e deveria ficar contente com isso.

Meu quarto, logo um velho cenário.

Eu procurava o que jamais poderia encontrar.

Correr ou caminhar, tudo dava na mesma.

Eu lhe vi em meu sonho, encontrei um alento.

Você estava linda, trouxe o alívio de uma brisa fresca em dia quente.

Mas passou, e o sol voltou a castigar minha pele.

Porque o pior da esperança é ter de esperar.

Me banhei de luz, fiquei cego e desorientado.

E com a sombra, retornei para dentro de mim mesmo.

Eu despertei, e voltei a olhar para o teto.

Escureceu, como sempre.

Mais uma vez, me despedi.

Apenas mais um dia

Apenas mais um dia.

E mais um...

E mais um... 

E mais um...

Apenas mais um dia.

E mais um...

E mais um...

E mais um...

Apenas mais um dia.

E passou-se uma semana.

Apenas mais um dia.

E passou-se um mês.

Apenas mais um dia.

E passou-se um ano.

Apenas mais um dia.

E passou-se uma década.

Apenas mais um dia.

E passou-se uma vida...

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Um pouco louco

Não há como adiantar o relógio, não há como se enganar.

É tão bonito esse modo de me dilacerar, e de ver você partindo.

Nas mais expressivas palavras vamos enxertando novos significados.

Porque nunca podemos falar tudo, nunca pudemos ser tudo o que queríamos.

O amor e o desprezo dançam com os rostos colados.

A vida e a morte se fundem em seu perfeito encaixe sobre a cama.

O vazio, é tão difícil lidar com o vazio.

E a todo momento nos preenchemos de coisas das quais não precisamos.

Algo me distrai, algo me traz novas falsas esperanças.

Mas a realidade possui tantas lacunas, que preciso fazer-me um pouco louco.

E é tamanha a falta de pele e tato, que busco alguma dor que me faça lembrar como é sentir. 

domingo, 24 de janeiro de 2016

Verdades desinventadas

Tudo que sempre foi seu, agora dizem que não é mais.

Há tempo suficiente para se lamentar enquanto lhe roubam e violentam.

Aprenderam a ensinar que isso é o certo.

E você se desespera, apoiando a cabeça sobre a mesa.

Talvez seja confundido com mais um prato para estes senhores da virtude humana.

Tudo que parecia bonito, agora não é mais.

Homens e mulheres agora caçoam de todas as verdades desinventadas.

Agora lhe restou ser o resto.

Escrevemos histórias que não vivemos, sempre foi assim.

Talvez o destino sempre tenha sido este.

Falta pouco para amanhecer, falta pouco para eu ir embora.

Cada segundo foi uma gota beijando o chão.

Não foi possível aproveitar o suficiente.

E nenhuma recordação servirá para que lembremos de algo.

Você entende que talvez a vida não exista, e talvez nada seja real.

E não há qualquer definição palpável para isso que chamamos de existência.

O fim, será que ele existe?

O início, será que ele existiu?

E o agora, o que é esse agora que escorre pelos dedos?  

Suor e cheiro de peixe

Lá fora, os berros.

Você usa seus tampões de ouvido para sair de sorriso no rosto.

Tão importante fingir que não é importante.

A histeria está molhando a calçada.

Quanta doçura da sua parte, em seu vaso sanitário.

Conte as cédulas que ganhou cantando o que não sente.

Lá fora, estão loucas para ser enganadas.

Perfumes e maquiagem, suor e cheiro de peixe.

Faça os olhos brilharem um pouco mais, seja indispensável.

Inspiração de vida, vá lambendo nota a nota.

Cante mais coisas que nunca sentiu.

Saia como um super-herói, despenque de um edifício.

Não havia espaço para competição, então por que você competiu?

Todo esse amor continua molhando a calçada!

Dê apenas um segundo para que essas pessoas desperdicem suas vidas.

Elas vão passar mal em troca de sua benevolência. 

E finja que se importa. só um pouquinho mais.

Logo vai acabar, dance, e dance.

E cante, deixe as veias do pescoço saltarem.

Elas vão saltitar como se o piso estivesse em chamas.

E conte, conte, conte.

Aproveite sua chance, pegue suas bagagens.

E corra, corra, corra.

Antes que venham lhe incomodar após sua linda atuação.     

E como é poética essa admiração.

E como é interessante essa escravidão.

E como é fascinante essa assimetria.

E como é nauseante essa anestesia.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Restrições progressivas

O mundo está se acabando.

Você que promete salvação, não está querendo acelerar o processo?

Há sempre algo escondido por trás das boas intenções.

Você quer me libertar para poder me fazer escravo?

Suas palavras morrem em suas atitudes.

Você sonha com o dia em que puder ser mais sanguinário do que tudo aquilo que condena?

Abra sua sabedoria, feche logo para que não comece a apodrecer em suas mãos.

Você tem as chaves para me tirar dessa cela e me trancafiar em outra?

Restrinja as palavras.

E com menos palavras, restrinja as divergências.

E com menos divergências, restrinja o pensamento.

E com menos pensamento, restrinja nossa capacidade de sermos nós mesmos.

E com menos de nós mesmos, restrinja nossa capacidade de sermos qualquer coisa diferente de uma massa sem gosto.  

Não, eu não acredito.

Não, eu não me curvarei às suas virtudes hipócritas.

Eu me manterei apartado de tudo aquilo que você disfarça de sonhos.

Eu não me importo com o que você pensa.

Não, eu nunca me importei. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A garota dos sapatos sujos de lama

A garota, sentada no cordão da calçada.

Ela deixa a sua tarde passar.

A garota, enfadada mastigando o chiclete.

Ela luta com todas as suas forças.

A garota, sonhos em estática.

Ela busca lucidez olhando para o nada.

A garota, princesa do vexame.

Ela deixa-se enganar para sentir o estômago doendo.

A garota, luz que todos apagam no meio da noite.

Ela tem os sapatos sujos de lama.

A garota, tempo divino desperdiçado.

Ela espera por algo que ainda não foi inventado.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Acordei de um coma

Acordei de um coma, acordei de um coma.

Foi difícil abrir os olhos.

Acordei de um coma, acordei de um coma.

E me perguntava quem eu era.

Acordei de um coma, acordei de um coma.

E me perguntei de onde eu vinha.

Acordei de um coma, acordei de um coma.

E tudo estava tão diferente.

Acordei de um coma, acordei de um coma.

E não sei mais o que é real.

Acordei de um coma, acordei de um coma.

E preciso de um caneco cheio de café.  

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Cair chorando e levantar sorrindo

Questões de segundos nos rondam a todo momento.

Mas não podemos recuperar nenhum deles.

Eles se vão, eles voam constantemente e sem controle algum.

O que temos é o cenário com o qual podemos trabalhar.

E estamos bem vivos, afinal.

Há tantas pequenas coisas para agradecer.

E há também as grandes coisas que quase nunca percebemos.

Você pode cair chorando, desde que se levante sorrindo.

Não é tão fácil assim destruir o que sentimos, o que somos.

E se o agora é eterno, eternizemos o melhor que temos por dentro.

Mesmo que tudo se exploda lá fora, estarei em paz e contente em mim mesmo.

Você não pode me impedir, entenda de uma vez por todas.

E mesmo que meu corpo morra, ainda estarei aqui, forte e persistente.

Você poderá sentir exatamente isso, você saberá com clareza. 

Uma melodia triste pode trazer paz, se você conseguir senti-la integralmente.

Isso ainda não é o fim de tudo...   

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

As 10 melhores músicas dos Smiths

Como já disse ontem, meu período na Espanha teve a companhia permanente das canções de The Smiths e The Cranberries. As minhas 10 canções favoritas da banda liderada por Dolores O'Riordan eu já apresentei aqui (leia). Hoje é a vez da turma de Morrissey e Johnny Marr.

10. Panic: Canção bem contagiante, embalada e divertida (assista aqui).

Trecho da letra: Burn down the disco/ Hang the blessed DJ/ Because the music that they constantly play/ It says nothing to me about my life (Incendeiem a discoteca/ Enforquem o bendito DJ/ Porque a música que eles constantemente tocam/ Nada diz sobre a minha vida).

9. Bigmouth strikes again: Falar demais às vezes pode causar sérios problemas! O linguarudo ataca outra vez (assista aqui).

Trecho da letra: And now I know how Joan of Arc felt/ Now I know how Joan of Arc felt/ As the flames rose to her roman nose/ And her Walkman started to melt (E agora eu sei como Joana D'Arc se sentiu/ Agora eu sei como Joana D'Arc se sentiu/ Enquanto as chamas subiam até seu nariz romano/ E seu walkman começava a derreter).

8. Heaven knows I'm a miserable now: Uma música com a marca registrada de The Smiths (assista aqui).

Trecho da letra: In my life/ Oh, why do I give valuable time/ To people who don't care if I live or die? (Em minha vida/ Oh, por que dou meu tempo valioso/ Para gente que não se importa se estou vivo ou morto?).

7. Please, please, please, let me get what I want: Uma súplica, quase uma oração, em forma de belíssima música (ouça aqui).

Trecho da letra: Haven't had a dream in a long time/ See, the life I've had/ Can make a good man bad/ So for once in my life/ Let me get what I want/ Lord knows, it would be the first time/ Lord knows, it would be the first time (Há muito tempo não tenho um sonho/ Veja, a vida que eu tenho levado/ Pode tornar um bom homem mau/ Então, só uma vez em minha vida/ Me deixe ter o que eu quero/ Deus sabe, seria a primeira vez/ Deus sabe, seria a primeira vez).

6. William, it was really nothing: Mais uma canção curtinha dos Smiths. Mas com um ritmo muito bacana (assista aqui).

Trecho da letra: The rain falls hard on a humdrum town/ This town has dragged you down/ Oh, the rain falls hard on a humdrum town/ This town has dragged you down/ Oh, no, and everybody's got to live their life/ And God knows I've got to live mine (A chuva cai forte em uma cidade provinciana/ Essa cidade tem te deixado pra baixo/ Oh, a chuva cai forte em uma cidade provinciana/ Essa cidade tem te deixado pra baixo/ Oh, não, e todo mundo tem que viver suas vidas/ E Deus sabe que tenho que viver a minha).

5. The boy with the thorn in his side: Um garoto angustiado que nunca teve o direito de amar. Seria Morrissey falando de Morrissey? É bem provável que sim, como em tantas de suas letras (assista aqui).

Trecho da letra: How can they look into my eyes/ And still they don't believe me?/ How can they hear me say those words/ Still they don't believe me? (Como eles podem olhar nos meus olhos/ E continuar sem acreditar em mim?/ Como eles podem me ouvir dizendo aquelas palavras/ E continuar sem acreditar em mim?).

4. Some girls are bigger than others: Uma das mais belas e saborosas melodias dos Smiths (assista aqui).

Trecho da letra: Some girls are bigger than others/ Some girls are bigger than others/ Some girl's mothers are bigger than/ Other girl's mothers (Algumas garotas são maiores que as outras/ Algumas garotas são maiores que as outras/ Algumas mães de garotas/ São maiores que as outras mães de garotas).

3. How soon is now: Sombria, depressiva, angustiante e clássica. Muitos anos depois, as vigaristas da dupla T.A.T.U. apareceriam com sua versão da música. Sombria? Não. Clássica? Também não. Depressiva e angustiante? Sim, pela ruindade da porcaria que elas fizeram com a canção (assista aqui à versão dos Smiths e aqui à versão das T.A.T.U., se você tiver uma boa dose de coragem e estômago forte).

Trecho da letra: There's a club, if you'd like to go/ You could meet somebody who really loves you/ So you go, and you stand on your own/ And you leave on your own/ And you go home, and you cry/ And you want to die (Existe um clube, se você quisesse ir/ Você poderia conhecer alguém que realmente lhe ame/ Então você vai, e fica sozinho/ E você vai embora sozinho/ E você vai para casa e chora/ E você quer morrer).

2. I started something I couldn't finish: Letra irônica e um ritmo oitentista contagiante (assista aqui).

Trecho da letra: I started something/ I forced you to a zone/ And you were clearly/ Never meant to go/ Hair brushed and parted/ Typical me, typical me/ Typical me/ I started something/ And now I'm not too sure (Eu comecei algo/ Eu forcei você a entrar em uma região/ E você claramente/ Nunca teria ido por vontade própria/ Cabelo escovado e partido/ Típico de mim, típico de mim/ Típico de mim/ Eu comecei algo/ E agora não tenho muita certeza).

1. Last night I dreamt that somebody loved me: Para mim, a grande obra dos Smiths. A canção combina uma letra lindamente triste, uma melodia encantadoramente bonita e melancólica, e uma interpretação perfeitamente expressiva de Morrissey. A longa e angustiante introdução de quase dois minutos também é digna de nota (ouça aqui).

Trecho da letra: Last night I dreamt/ That somebody loved me/ No hope, no harm/ Just another false alarm/ Last night I felt/ Real arms around me/ No hope, no harm/ Just another false alarm/ So, tell me how long/ Before the last one?/ And tell me how long/ Before the right one? (Ontem à noite eu sonhei/ Que alguém me amava/ Nenhuma esperança, nenhum dano/ Apenas outro alarme falso/ Ontem à noite eu senti/ Braços reais ao meu redor/ Nenhuma esperança, nenhum dano/ Apenas outro alarme falso/ Então me diga, quanto tempo falta/ Antes da última pessoa?/ E me diga quanto tempo falta/ Antes da pessoa certa?). 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

As 10 melhores músicas dos Cranberries

Nos quase sete meses em que vivi na Espanha, adquiri um hábito nos domingos de solidão: ficar ouvindo músicas deitado na cama, durante toda a tarde. Foi lá que comecei a prestar mais atenção à discografia de bandas como The Cranberries e The Smiths. Se até então eu simpatizava com as respectivas bandas, a partir disso eu simplesmente me apaixonei por ambas, num nível em que nem sei dizer de qual das duas gosto mais. Fato é que Dolores O'Riordan e Morrissey foram minhas grandes companhias naqueles tempos salmantinos. E permaneceram fortemente na minha vida, mesmo após voltar ao Brasil. Por isso, como forma de recordar a época e homenagear essas duas bandas incríveis, vou apresentar aqui minhas músicas favoritas de cada uma. Começarei com os Cranberries. 

10. Wake up and smell the coffee: Música para aqueles dias em que você tem que acordar e vencer o desânimo. A pegada é incrível; a letra, ótima. Acorde! Sinta o cheiro do café! E siga! (assista aqui).

Trecho da letra:  I, I went to hell/ I might as well/ Learn by my mistakes/ I at twenty-four/Was insecure/ To whatever it takes (Eu, eu fui ao inferno/ Eu preciso/ Aprender com meus erros/ Eu, aos vinte e quatro/ Era insegura/ Em relação ao que quer que seja).

9. Loud and clear: Canção bem animadinha, daquelas letras boas para mandar um ex-amor pastar (ouça aqui).

Trecho da letra: I remember there was/Nothing I could ever do/ Never could impress you/ Even if I tried (Eu lembro que/ Não havia nada que eu pudesse fazer/ Eu nunca lhe impressionaria/ Mesmo que eu tentasse).

8. Ridiculous thoughts: Outra canção com um embalo que dá vontade de sair pulando e cantando pelo quarto (assista aqui).

Trecho da letra: I feel alright/ And I cried so hard the/ Ridiculous thoughts/ I feel alright alright alright alright (Eu me sinto bem/ E eu chorei tanto/ Os pensamentos ridículos/ Eu me sinto bem, bem, bem, bem).

7. Linger: Linda e clássica balada dos anos 90 (assista aqui).

Trecho da letra: But I'm in so deep/ You know I'm such a fool for you/ You got me wrapped around your finger/ Do you have to let it linger? (Mas eu estou tão envolvida/ Você sabe que eu sou uma idiota por você/ Você me tem entre seus dedos/ Você tem que deixar isso se prolongar?).

6. Put me down: Talvez a música mais depressiva da banda. Belíssima. O vocal de Dolores atinge um nível sublime nessa canção (ouça aqui).

Trecho da letra: And you always prove me wrong/ 'Cos you're always putting me down (E você sempre me prova que eu estava errada/ Pois você sempre está me colocando pra baixo).

5. When you're gone: Uma derretida e deliciosa balada romântica (assista aqui).

Trecho da letra: And in the night, I could be helpless/ I could be lonely, sleeping without you/ And in the day, everything's complex/ There's nothing simple/ When I'm not around you (E de noite, eu poderia estar desamparada/ Eu poderia estar sozinha, dormindo sem você/ E de dia, tudo é complexo/ Não há nada simples/ Quando não estou ao seu redor).

4. Promises: Boa pegada, uma pitada de melancolia e  refrão explosivo (assista aqui).

Trecho da letra: Oh, all the promises we made/ All the meaningless and empty words/I prayed, prayed, prayed/ Oh, all the promises we broke/ All the meaningless and empty words/ I spoke, spoke, spoke (Oh, todas as promessas que fizemos/ Todas as palavras sem sentido e vazias/ Eu roguei, roguei, roguei/ Oh, todas as promessas que quebramos/ Todas as palavras sem sentido e vazias/ Eu disse, disse, disse).

3. Zombie: Cranberries nunca foi uma banda grunge. Mas Zombie é, sim, um clássico do grunge noventista (assista aqui).

Trecho da letra:  But you see it's not me/ It's not my family/ In your head, in your
head they are fighting/ With their tanks and their bombs/ And their bombs and their guns/ In your head/ In your head they are cryin'/ In your head, in your head/ Zombie Zombie Zombie (Mas você não vê que não sou eu/ Não é minha família/ Em sua cabeça, em sua cabeça eles estão lutando/ Com seus tanques e suas bombas/ E suas bombas e suas armas/ Em sua cabeça/ Em sua cabeça eles estão chorando/ Em sua cabeça, em sua cabeça/ Zumbi, zumbi, zumbi).

2. Ode to my family: Belíssima música, belíssima letra, belíssima interpretação de Dolores, belíssimo videoclipe (assista aqui).

Trecho da letra:  Unhappiness, where's when I was young/ And we didn't give a damn/ 'Cause we were raised/ To see life as fun and take it if we can/ My mother, my mother she hold me/ Did she hold me when I was out there?/ My father, my father, he liked me/ Oh he liked me, does anyone care? (Infelicidade, existia quando eu era jovem/ E nós não dávamos importância/ Porque fomos criados/ Para ver a vida como diversão e levá-la se pudéssemos/ Minha mãe, minha mãe me abraça/ Ela me abraçou quando eu estava lá fora?/ Meu pai, meu pai gostava de mim/ Oh, ele gostava de mim, alguém se importa?).

1. Empty: Transborda melancolia e sentimento de vazio- como o próprio título da música denuncia. Minha preferida dos Cranberries (assista aqui).

Trecho da letra: Say a prayer for me/ Help me feel the strength I did/ My identity has it been taken/ Is my heart breaking on me/ All my plans they fell through my hands/ They fell through my hands on me/ All my dreams it suddenly seems/ It suddenly seems empty (Faça uma oração por mim/ Ajude-me a sentir a força que sentia/ Minha identidade foi levada/ Meu coração está se partindo em mim/ Todos meus planos caíram de minhas mãos/ Eles caíram de minhas mãos/ Em mim todos meus sonhos de repente parecem/ De repente parecem vazios).

domingo, 17 de janeiro de 2016

Brilho prateado

Procura por um sinal, mas os sinais já não dizem nada.

Sabemos que as promessas são feitas sem que se pense para onde vamos.

No céu, espero por um brilho prateado, mas as estrelas estão mudando de lugar.

E tudo passa sem que nada se passe.

Porque o brilho que importa é o do ouro.

O esquecimento é tão mais fácil para fugirmos desse jogo.

Em alguns momentos, desistir é a melhor maneira de resistir.

Estou à espera de novas verdades fabricadas para que os ingênuos aplaudam.

Sua liberdade é minha prisão, e eu estou fingindo que me sinto bem.

Mas quedas não são mortes, e nos levantamos novamente.

Neste mundo, a dor é definida pela careta.

Isso é o mais conveniente, quando se pensa que o silêncio é fraqueza.

Então, tudo torna-se permitido.

A luz do sol traz mais uma noite profunda.

Mais uma vez acreditamos no que não nos foi dito.

E fechamos os olhos para fugir da realidade.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Navios e amores

Você possui tentáculos que tudo tentam abraçar.

Você está me asfixiando, você está me matando.

Qual outro pedaço de mim você fingirá que é seu?

Qual parte do que eu sou você usará como adorno na próxima noite?

Eu perdi minha própria identidade enquanto lhe olhava de longe.

Sim, parecia que eu estava tão perto...

Eu perdi minha dignidade enquanto meu mundo se acabava.

Sim, parecia que eu era maior diante disso...

Então não tente ter o que não quer ter.

Não, não tente ter o que não pode ter.

Você sabe que com a necessidade vêm suas lembranças.

Não julgue seu próprio merecimento, eu não serei o dono deste papel.

Eu estava me martirizando na esperança de não ganhar nada.

Mas posso flutuar aproveitando o imenso vazio em meu peito.

Não preciso que você brinque de preenchê-lo.

Velhas palavras apodreceram dentro da sua boca.

Então engula-as, ou cuspa-as de uma vez.

Não se preocupe, eu nem me lembro mais de como era a sensação de ouvi-las.

Navios e amores partem no horizonte do mar.

Eu virei as costas para tudo isso.

Fui embora, lentamente, e você nem percebeu.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Indefesos diante de nós mesmos

Carregamos todo o peso daquilo que sonhamos.

Os caminhos que escolhemos são os caminhos que não temos. 

Eu me sinto muito bem quando mergulho, eu me afogo e me assusto.

Nós escondemos a dor, nos expomos ao máximo.

A paisagem é uma pintura que me traga e ilude.

E você ri deste vazio que lhe consome, você canta e flutua.

Toda a angústia traz consigo uma doçura oculta.

Estamos indefesos diante de nós mesmos, sempre tivemos a vocação para criar nossos próprios monstros.

E vamos seguindo como se o errado pudesse em algum momento se tornar certo.

Acumulamos mais força pelas nossas fragilidades, e não nos importamos se estão rindo disso.

As lágrimas puras dessa tristeza incontida são uma manifestação do sagrado.

Vitórias fáceis não são vitórias, não existe milagre sem sofrimento.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Passos para frente

Garota, o tempo é um bom advogado.

Foi divertido, e tudo se foi.

Garota, mesmo assim o seu crime chegou ao fim.

As coisas estão bem colocadas em seus lugares.

Garota, estou livre da prisão que você criou para mim.

E para lá eu nunca mais voltarei, por mais que você se esforce para me derrotar.

Garota, todos os meus passos serão para frente.

Meu inverno chegou ao fim, os grilhões foram rompidos.

Garota, tudo o que você fazia era tão doentio.

Mas a sua mesquinhez se evaporou para que eu possa amar sem medo.

Garota, nunca mais saberei quem você é ou o que está fazendo.

Apenas vou rir e deixar a vida me levar aos melhores lugares.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Pelo avesso

É tão difícil fingir que nada tem importância.

Ela está desintoxicada e pronta para cortar seu peito com um caco de vidro.

Banalidades fazem o dia passar lentamente, em meio a um turbilhão interior.

O riso é uma boa máscara, mas a mim não convence mais.

Futuros são mentiras mal contadas, tudo é incerteza.

Mas sempre há uma porta de saída que você se recusa a abrir.

Ela não espera mais pelo paraíso, conforma-se com uma apatia que lhe liberte do seu inferno.

A sombra caminha altiva enquanto seu corpo rasteja pelo chão.

É assim que as coisas funcionam quando tudo está pelo avesso.

Mas há um certo orgulho escondido em cada ferimento.

Seu coração não pulsa para ninguém, transformou-se em mero detalhe.

Ainda possui vidros de anestesia suficientes para aliviar a dor.

A necessidade é feroz e intensa, extravasada para qualquer lado.

Todos os dias ela pegava o primeiro trem, todos os dias ela partia acompanhada.

Todos os dias ela esperava até o último trem, todos os dias ela voltava sozinha.   

sábado, 9 de janeiro de 2016

Na porta giratória (2)

Piii... Piii... Piii...

- Posso dar uma olhadinha na sua mochila? 
- Sim, sim... Aqui, ó... Tem essa chave. E esse tablet.
- Ok, pode colocar aqui na caixinha.
- Certo.

Piii... Piii... Piii...

- Tem certeza de que não tem mais nada aí? Posso olhar melhor?
- Bom... Aqui... Ó... Ah! Sim! Tem esse revólver. Eu acabei esquecendo. Ia fazer um assaltinho rápido. Pegar uma graninha pra fazer umas aplicações.
- É... Mas com revólver não pode ser. Só eu posso ter um aqui. Se quiser, pode deixar o revólver na caixinha e tentar desarmado, ver o que dá...
- Hum, mas daí complica. Bom, tudo bem. Pelo menos vou aproveitar pra tirar um extrato.
- Isso. Na saída você pega seu revólver, pode deixar que eu cuido aqui direitinho.
- Tá bom! Muito obrigado!
- De nada, de nada!   

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Vivendo uma distopia

O dia cheio de fumaça faz os rostos desaparecerem.

Eles desaparecem o tempo todo.

Mentiras descaradas são as explicações nas quais todos parecem acreditar.

O que é certo dizer? O que é certo pensar? O que é certo sentir?

Já não é preciso nem perguntar, miolos são massa fria e inútil num pote jogado na geladeira.

Dê-me a receita pronta e com gosto de cinzas.

A linha é tão estreita que não cabe mais raciocinar.

Toda benevolência tornou-se uma farsa nauseante.

Não há nobreza alguma nos favores oferecidos em troca de aplausos.

Nas ruas, o lixo, a sujeira e o abandono aos ratos.

Nas janelas, os olhos que nada enxergam monitoram cada pequeno movimento nesta monotonia.

O sol do meio-dia é meia-luz.

A degradação fede, o mundo é uma bolinha de papel no fundo de uma caixa esquecida.

Esqueça os livros, esqueça a ficção.

Estamos vivendo uma distopia exatamente agora.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Feliz 2016!

Começamos mais um ano de Dilemas Cotidianos, afinal!

Desejo aos leitores um sensacional 2016.

O blog está de cara nova, tendo em destaque uma foto tirada por mim no Vaticano, em Roma.

Espero que continuem acompanhando o DC, e que apreciem os textos que estão por vir.

Um grande abraço!