quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Corações perdidos

Corações perdidos estão se molhando na chuva.

A cada esquina, uma nova ilusão.

Corações perdidos marcham rumo ao abismo de mágoas eventuais e esperáveis.

É disso que eles se alimentam, como impedi-los de sonhar?

Corações perdidos buscam aconchego e proteção do fim que vem para tudo congelar.

A tolice tem um gosto doce, pureza esquecida num canto empoeirado.

Corações perdidos amam e morrem de fome todos os dias.

Vão sobrevivendo de migalhas num mundo de escassez de sentimentos não distribuídos.

Corações perdidos não têm lar, são expulsos de qualquer canto em que tentem fixar residência.

Só podem viver enquanto são invisíveis, livres para não existir.

O amor é apenas um adorno para festas de gala.

O amor é apenas uma peça exótica que os mercadores fingem entender e apreciar enquanto vendem por algumas moedas... 

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

É assim que o mundo gira

Uma época antiga parece voltar.

Nos transformamos tanto desde então.

É tolice esperar o que um dia foi e já não é como antes.

É assim que o mundo gira.

Uma expectativa se frustra, não é apenas a sua.

Fazia frio quando eu acendi um isqueiro, continuou frio.

Dias preciosos foram jogados pela janela sem que eu ganhasse nada.

Da vida, um jogo de seduções e afastamentos que eu me recusei a jogar.

Todo ser humano tem seus limites, os meus ficaram marcados em um rosto sem expressão.

O cenário ainda pode vir a mudar, suas esperanças podem subsistir.

Mas dificilmente sobreviverão ao tempo hostil que faz lá fora.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Artérias e avenidas

Você tenta distorcer a realidade que enxergo.

Eu recuso todo filtro tolo.

Tornou-se difícil aceitar que o mundo fugiu do seu controle.

A fuga é esdrúxula, não acredito que você acredite.

Manteve a pose, a empáfia de quem nada pode admitir.

Reina um transformador incômodo entre os iguais.

Mas eles precisam fingir que não se importam.

Uma doença devastadora corre pelas artérias e avenidas.

Talvez isso não renda nada para alimentar sua vaidade.

O tratamento fica para amanhã ou daqui a cem anos.

É só até o dia em que tudo estiver exatamente como você sempre sonhou.

É só até o dia em que não haja mais nada por aqui.

Esgotou-se a razão, e tudo virou apenas questão de envolvimento.

E a verdade não importa mais, eu sei.

Algum dia realmente importou? 

Fim sem começo

Tudo que ansiosamente esperamos passou rápido demais.

A despedida teve de ser breve e abrupta, sem que eu soubesse a razão.

Eu me ajoelhei e chorei copiosamente.

Não adiantava me perguntar por que tinha de ser assim.

Por mais que você me ensinasse e me repetisse o caminho, eu jamais conseguiria chegar lá.

Fiquei perdido e sozinho, sem bússola ou referência.

Talvez fosse meu despertar, mas permaneci letárgico.

Não há mais dor, apenas angústia e incerteza.

Cheguei ao fim sem sequer ter começado... 

domingo, 25 de dezembro de 2016

Feliz natal!

Desejo a todos os leitores e seguidores do DC um felicíssimo natal.

Que todos tenham harmonia, alegria e principalmente paz.

Aproveitem o dia!

Um grande abraço.

sábado, 24 de dezembro de 2016

O anseio pelo passado é inútil

Diante de meus olhos, tudo que não perdi.

Não há mais o que querer, o anseio pelo passado é inútil.

Misturamos a decepção com um gostinho de vitória.

Não é nada bonito, mas tantas coisas na vida não são.

Alguns sonhos não se realizam para que portas melhores se abram.

A realidade se mostra mais promissora, há coisas que só o tempo é capaz de mostrar.

Importâncias tolas de outrora agora não significam nada.

Um doce silêncio me embala, desconheço a próxima canção, e esse é o meu maior alento.

Posso abrir as portas e as janelas, posso respirar e sair para a rua caminhando a esmo.

Todas as possibilidades, enfim, são um grande presente.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Resquícios de pensamentos

Fiquei preso em um mundo paralelo.

Tive medo de não voltar.

Mesmo que tudo estivesse calmo, eu não podia estar lá.

Ouço uma voz, não encontro explicação.

Seria melhor se tivesse terminado?

Não sou mais o mesmo.

Resquícios de pensamentos trazem a angústia da alma para o céu da boca.

Todas as horas do dia passaram sem que eu percebesse.

O esquecimento é tão difícil de se esquecer.

Não entendo mais nada, e não há mais nada para ser entendido.

Todos os significados dessa existência escorrem pelos dedos.

Apenas um fica, sempre, e não muda: o do nada, sentido como um gosto amargo na última colherada de qualquer sentimento que começa doce.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Permaneço

Permaneço.

Mesmo que a sorte tire uma folga.

Permaneço.

Estou aqui mais forte do que nunca.

Permaneço.

Grato por tudo o que tenho nesse exato momento.

Permaneço.

Observo essa dança maluca e tento acompanhar o seu ritmo à minha maneira.

Permaneço.

O brilho das estrelas me diz que tudo vai melhorar ainda mais.

Permaneço.

Com um sorriso na cara pronto para o dia de amanhã.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A vida no olho do furacão

Por qualquer via, o cenário seria complexo.

A indiferença enfraquece, o ódio estrangula, o amor machuca.

Um estremecimento tira tudo do lugar.

Minha negação era a resposta lógica, uma espécie de bússola.

Eu apenas sabia para onde não queria ir.

Talvez por saber disso, fui exatamente para lá.

A vida no olho do furacão é tão certa de destruição.

A cada tempo, há um motivo diferente, por mais tolo que seja.

E não há tolice maior do que negar essa verdade, e virar o rosto para o que hoje não faríamos mais.

Todas as certezas viraram fumaça, ninguém poderia imaginar que isso era uma bênção. 

Então eu odiei de forma intensa, eu amei de forma fervorosa, e me tornei indiferente.    

Revelou-se em seus olhos uma beleza que nunca antes eu havia notado.

Mas já era tarde demais, por mais cedo que ainda fosse.

E quando nada mais fazia sentido, tudo ficou em paz.

A mansidão e o sorriso doce

Estão lhe contando uma mentira, mas você sofre como se fosse verdade.

Tanto que se tem no coração para oferecer, as paredes do peito não podem ser um inferno.

Esse amor poderia perfeitamente ser o paraíso na vida de qualquer um.

Nos dão um preço por tudo que mostramos, nos dizem que o que somos vale apenas algumas moedas.

A cegueira e o vazio são escolhas cômodas e nada corajosas, um prato que alimenta mas não tem sabor nenhum.

Posso ser absolutamente honesto contando minha verdade, mas você sofre como se fosse mentira.

E então minhas palavras se esgotarão, se repetirão, e morreremos com elas intoxicados.

O tempo pode levar tudo, mas sempre deixará suas marcas.

No vento posso enxergar nossas semelhanças, elas se evaporaram tão rapidamente.

Ainda assim, são extremamente bonitas, subindo pelos céus de maneira sublime.

Ficará comigo a mansidão e o sorriso doce, a saudade de um sentimento que jamais deixará de estar presente.

Tudo, afinal, acaba sendo exatamente como deveria ser.

E como alento talvez ainda exista nessa vida uma espera que tenhamos deixado de esperar. 

 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Tudo que a gente quer

Tudo que a gente quer é alguém que sorria na hora mais tola.

Tudo que a gente quer é alguém que dê o beijo inesperado.

Tudo que a gente quer é alguém para compartilhar nossas tolices.

Tudo que a gente quer é alguém com quem se possa ser integralmente o que se é, com todas as qualidades, com todos os defeitos, sem qualquer censura

Tudo que a gente quer é alguém que amanhã, e depois, e depois, ainda esteja aqui.

Tudo que a gente quer é uma mão para segurar, um cabelo para acariciar enquanto se assiste a um filme antigo ou a um desenho da Pixar.

Tudo que a gente quer é alguém para tomar um sorvete, que ajude a encontrar os adjetivos para definir o gosto.

Tudo que a gente quer é alguém que traga paz, que traga certeza mesmo nos momentos mais conflituosos e incertos.

Tudo que a gente quer é alguém que faça lembrar que, mesmo quando o mundo acaba, ele não acabou.

Tudo que a gente quer é alguém que seja, que esteja.

Tudo que a gente quer é alguém que se molhe junto na tempestade, e depois esteja junto tomando um chá quente sob as cobertas.

Tudo que a gente quer é alguém que não banalize a gente.  

Tudo que a gente quer é alguém para quem se possa dizer "Eu te amo" a qualquer hora, por qualquer motivo, sem qualquer medo ou melindre.

Tudo que a gente quer é alguém de quem se possa ouvir esse mesmo "Eu te amo" sabendo que... É amor mesmo.  

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O amor certo é o amor que posso ter

Os dias de euforia se foram pela janela.

Agora não tenho mais novidade alguma para contar.

O mundo construído para proteger meus sentimentos desmoronou.

Precisei me libertar de tudo que me machucava.

Algumas belezas nunca se revelaram, ainda que eu as tenha buscado.

Choveu e fez sol, mas o passado não pode se fazer presente.

O amor certo é o amor que posso ter.

Tanta amargura me consumiu à toa.

Desamarrei minhas mãos e pernas das ilusões, das desilusões e dos apegos tolos.

Já não há mais buquê de flores para jogar na lata do lixo.

Aceito minha paz e até essa certa apatia.

Uma tela em branco pode ter mais valor do que uma pintura sem alma.

Porque no fim, só existem as coisas que se completam.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O tempo que é impossível não desperdiçar

Estamos todos presos, e não temos chance de fuga.

Estamos desperdiçando o tempo que é impossível não desperdiçar.

Os minutos passam lentamente, mas os anos passam rápido demais.

Talvez não saibamos para onde estamos indo.

Nem sequer sabemos se isso tem alguma importância.

Os sentimentos mais intensos tornaram-se um cheiro que vem e se vai em um segundo.

E tudo que tomou conta de nossas existências tornou-se vaga lembrança.

Já não sofremos, já não amamos.

A vida agora é pura banalidade.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Mesma velha rua

Um dia de euforia plena.

Alguns dias de silêncio angustiante.

O dia da ruptura, agressiva mas reticente, que traz em suas reticências o triplo de interrogações.

E assim, tudo segue da mesma maneira.

Em que momento a realidade tornou-se quimera?

Em que instante o êxtase tornou-se decepção?

Sigo o mesmo, a caminhar e caminhar e caminhar pela mesma velha rua.

E tudo que ouço são meus próprios passos... 

sábado, 10 de dezembro de 2016

Sob o sol quente

O sol queima a cabeça.

Eu te vejo lutando.

A vida é dura, não se pode esmorecer.

Eu te vejo sobrevivendo.

De simples não há nada, o mundo não para.

Eu te admiro, e sei que em breve vou te rever. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O dia em que o igual será diferente

Ainda posso me surpreender com o que encontro a cada esquina.

E como estará hoje aquilo que sempre esteve aqui?

Eu fujo, eu permaneço no mesmo lugar.

Assobio uma música qualquer para me lembrar da minha espera naquela janela.

Nem sei por que tenho que me lembrar daquilo.

Sempre esperei tanto, por coisas que nunca chegaram.

Haverá, eu sei que haverá, o dia em que o dia igual será diferente.

Por enquanto, me distraio e finjo que não me perco.

Não estou apático, apenas contemplo meu silêncio interior.

Até hoje, foram tão raros esses momentos... 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Somos todos tolos

Olhares se cruzam, olhares se perdem.

O lugar em que estou é o lugar para o qual estou destinado.

Jamais fui menos, talvez nunca consiga ser mais.

Tudo que eu faça será inútil.

Estou esperando, jamais chegarei.

No fim, isso terá alguma importância?

Ainda que eu diga a verdade, estarei mentindo.

Movimentos perfeitos aos quais não pertenço me embalam.

Minha esperança está em nada esperar.

É demasiado cedo para querer morrer.

É demasiado tarde para ter tempo de sonhar.

Tudo que terminamos, terminamos para continuar.

Limpamos a estrada para poder sujá-la em seguida.

Isso nunca termina.

Quando a lucidez se acaba, quando o som silencia, somos todos tolos.  

Nosso maior tesouro é não sermos nada.

O mundo não terminou

Podíamos estar certos.

A mágoa ficou pelo caminho.

E há tanto pela frente, tanto para viver.

Mesmo o que parecia perfeito e se perdeu, mantém a esperança.

A sorte pode se manifestar das maneiras mais estranhas.

Então aqui estamos, de cabeça erguida.

O mundo não terminou.

E a vida está só começando.  

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Doce monotonia

O silêncio corta nossas peles lentamente, arde e deleita. 

Somos totalmente honestos com o que a vida nos trouxe, até mais do que deveríamos.

Naquilo que não dizemos está tudo que precisamos saber.

O passado não é mais um lamento, tornou-se a base daquilo que nos tornamos.

Minha verdade está em tudo que sonho, em tudo que imagino, em tudo que quero.

Entre as paredes, toda a honra e todo desprezo que nos torna uma riqueza que não se pode entender.

Na janela, a fresta reserva a esperança do amor e da luxúria numa embriaguez que permanecerá.

E a vida segue em sua doce monotonia, guardando a melhor das explosões para depois.

Até que chegue o estranho e esperado dia em que não precise mais haver depois.  

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Perguntas

Onde foi que nos perdemos?

Do que foi que esquecemos de nos esquecer?

Quando matamos tudo que jamais chegamos a ser?

Qual o medo que deixamos de enfrentar?

Quais foram os dias que passaram pela janela sem que pudéssemos perceber?

Que resposta encontraremos, e onde a encontraremos, se nem sequer temos a pergunta? 

sábado, 3 de dezembro de 2016

Quantas moedas sobraram?

Diante de seus olhos, tudo que um dia deveria ter ensinado algo.

A necessidade de estar acima deixa você tão abaixo.

Veja bem o papel que está fazendo aqui.

Nada do que sinto pode ser mensurado.

Não, você não pode controlar, mesmo que isso leve à loucura.

Quantas moedas sobraram, seriam suficientes?

Até quando terá que fingir que pensa em troca de algumas migalhas?

O trem já passou há muito tempo, mas você segue esperando.

Já não há tempo para rir, se chorar tornou-se impossível.

E a expressão em seu rosto jamais mudará, eu sei.

Olhares perdidos

Os olhares estão perdidos.

Porque já não há mais nada para olhar.

Contemplamos o que não podemos ver.

Contemplamos o que não podemos compreender.

Contemplamos o que já se foi e nunca mais poderá ser.

Ficaram as memórias, um refúgio de saudade.

No coração, a melodia triste preenche o vazio que nos tomou.

Algo mudou, e então nos transformamos.

A dor nos esmaga, da dor renascemos.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Perfeitamente lúcido

Uma oportunidade perfeita se despedaça em suas mãos.

Não há espaço para um vexame nos lugares em que você se esconde.

Tudo que foi aprendido se desaprendeu.

Está valendo qualquer coisa que o faça fugir.

Já não posso mais sentir prazer porque nossas banalidades ficaram confusas e esquecidas.

Preciso de algo que me mantenha com os olhos abertos e a mente alerta.

No escuro, todos ficam sozinhos, frente a frente com a verdade que a realidade não traz.

Meus caminhos se abrem, e então posso entender tudo que acontece ao mesmo tempo.

Não pode ser loucura, estou perfeitamente lúcido.

Não pode ser o fim, estou completamente atento para não me deixar sair daqui. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Tanto para querer

Nos lugares por onde passo, me encanto com o que ainda não vivi.

Olhos brilharão, surpresos, com a beleza dos momentos singelos que temos a nos oferecer.

Um orgulho, meu mundo, tão pouco e tão precioso bem que posso compartilhar.

Ainda sou capaz de sorrir e me sentir pleno.

Me importo com a felicidade prometida no horizonte.

E tento fazer do vazio um motivo para amar.

Meu coração pulsa, ele tem tanto para querer.

Aqui estou, pronto para ser tudo que eu puder ser, numa pintura que jamais esquecerei. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

É a vida

Um livro que se escreve o tempo todo, sem parar.

Não há como corrigir, nada se pode deletar, não se pode fazer revisão.

Apenas continuar escrevendo, escrevendo e escrevendo.

É a vida...

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Vento triste

O silêncio ecoa em mim.

Um vento triste sopra no meu rosto.

É de repente que tudo se vai.

Foi de repente que tudo se foi.

Cada instante, cada amor, cada pequeno momento que virou fumaça.

Tantos sonhos, tanta vida, tantos risos.

Não houve tempo para a despedida.

Talvez tudo possa ser explicado.

Mas, ainda assim, nada fará sentido.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Destinos que desconheço

Caminhar parece tão simples e fácil.

Mas como você faz quando o peito aperta?

Vivemos de movimentos mecânicos, a mecânica também pode falhar.

Em minhas mãos está o futuro e todos os destinos que desconheço.

Posso passar reto sem olhar para os lados, o que isso vai mudar?

Estamos fugindo de tudo aquilo que não queremos ser ou fazer.

Mas sabemos para onde estamos indo?

Ao fim da estrada, aquilo que seremos, que desconhecemos, que valorizamos.

E passamos de maneira tão blasé pelo que somos agora, como se isso não tivesse nenhuma importância.

O alívio aguardado pode ser uma mentira, e pode ser que hoje estejamos aliviados sem saber.

domingo, 27 de novembro de 2016

Vontade de fingir inexistências

Na parede da sala, um quadro feio e sem qualquer sentido não me deixa desviar o olhar.

Bem no íntimo, não é possível que as coisas pareçam certas.

Os pesos e medidas mudam de acordo com as conveniências que você insiste em esconder. 

Pensamentos tortos e falsamente sofisticados são a água suja na qual a razão se afoga.

Não há amor nessa doença que nos sonega o mundo como ele é.

Estamos dividindo tudo que não queremos ter.

Nenhum malabarismo será suficiente para me convencer ou calar.

O que você quer ficou oculto por baixo de palavras irrecusáveis.

A ignorância foi uma escolha compreensível e covarde.

Tudo que de você discorda o agride, você agride tudo que de você discorda.

Podemos poupar tempo, há uma vantagem nessa vontade de fingir inexistências.

A farsa fica guardada para os devaneios que forçam os fatos e negam a realidade com um brilho nos olhos.

Mas os egos ficam a salvo, a verdade tornou-se um mero detalhe incômodo.

Você se mantém em sua esquizofrenia, regando flores de plástico todas as manhãs. 

sábado, 26 de novembro de 2016

Eu já não posso me esperar

O tempo me apressa.

Eu corro, eu tropeço, eu caio.

Eu levanto, não posso deixar de seguir.

O tempo me leva.

Eu rio, eu choro, eu canto.

Eu já não posso me esperar.

A vida, que seja.

Todos os sentidos estão no milagre que sopra em meu rosto.

A simplicidade é a resposta risonha e libertadora para cada um dos meus males.  

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Foi-se embora

Foi-se embora o medo do que poderia ser.

Dos lugares em que eu não podia estar.

E de todas as coisas que eu imaginava.

Foi-se embora a angústia pelo vazio que ficava.

Pelo sonho que se tornava mais distante.

Pelos espaços perdidos, e que jamais me pertenceram.

Foi-se embora a tristeza por tudo que se via interrompido.

Por todas as naturezas que não poderiam ser mudadas.

Pela solidão que me pressionava a me jogar de um penhasco todo santo dia.   

Foi-se embora um bocado de mim, para que eu pudesse permanecer.

Foi-se embora a ilusão do oásis, para que restassem o chão, meus pés e a vida.

Foi-se embora tudo que nunca foi, ficou o que é.

E isso é tudo que preciso para seguir, olhando para a frente, de peito aberto para o que virá.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Interminável e perturbadora queda

Tantas sensações não podem ser expressas pelas minhas palavras quando anoitece.

Um espírito voa livre, à procura de sua plenitude utópica.

As desesperanças reconstroem aquilo que somos, em versões mais ricas de nós mesmos.

Sim, ainda tento acreditar nisso.

Talvez um coração partido em mil pedaços possa amar mil vezes mais.

Talvez algum dia os céus tenham algo a dizer para me guiar.

As lamentações dos abandonados pertencem a cada um de nós.

E de repente todas as verdades se tornaram motivo para furor.

As luzes piscam e confundem, tornando tudo lento e incômodo.

Eu jamais pertenci às cenas que vejo e aos sorrisos tolos tão desejáveis.

O dia chega para piedosamente acabar com tudo, desligando as desilusões da tomada.

Volto a mim mesmo e ao sono que lateja na cabeça nessa interminável e perturbadora fuga.

É minha interminável e perturbadora queda. 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Todas as estações são iguais

Todos os dias me despeço de você, isso é uma necessidade a ser entendida.

Alguns erros já se foram com o vento, tento buscar novos erros pra me distrair.

Todas as estações são iguais, um desperdício daquilo que poderíamos ser.

Ainda me pergunto se a ausência de sentimentos é uma dádiva ou uma tragédia.

A poesia morre sem ar, perde-se no vazio da calma apatia que nos sujeita ao que é, sem sonhos.

Não sou mais um tolo, aprendi muito com cada pá de mágoa que foi enterrando o que um dia eu fui.

Tantas vezes a tolice me fez caminhar em direção à tempestade, mas eu caminhava.

Carrego a gratidão por aquilo de que não sinto saudade, mas que me fez conhecer as profundezas de mim.

Hoje reina a paz do vazio, sem risos e sem motivos para chorar.

É o tempo que me faz, no limite entre o bálsamo do alívio e a anestesia forte que deixa minha alma dormente.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Passou com leveza

Meu tempo ficou melhor e mais agradável.

Passou, passou com leveza.

E valeu a pena.

Permanece o frio na barriga, essa inquietude que me faz sentir vivo.

E isso é bom.

Com certeza, isso é muito bom.

sábado, 19 de novembro de 2016

No seu embalo

No seu embalo, eu me desafio.

Eu busco o impossível nas profundezas da alma, tão ricas, tão inexploradas.

No seu embalo, eu me desoriento.

Entrego-me a um anseio que morre dentro do peito, tão tolo, tão sutil.

No seu embalo, eu me reencontro.

Vejo nos seus olhos cada passo que devo dar, e me obrigo a caminhar, certeiro e sem receios.

No seu embalo, eu me abraço.

Torno-me grande, forte, mas também leve, capaz de voar para os lugares mais distantes do mundo.

No seu embalo, eu me sacrifico e me deleito.

E então grito sussurrando, fecho os meus olhos, e sonho um pouco mais.  

Promessa vã e irresponsável

Um sorriso pode fazer a diferença no meio da fumaça, pode ser uma saída perfeita.

Mas tantos minutos já se passaram, eu ainda estou preso aqui.

Tudo passou tão rápido, a praga logo se alastrou sem que ninguém percebesse.

Mesmo que eu possa vencê-la, sairei derrotado.

Traga a luz, me deixe atraído, me deixe desorientado.

O que há me envenenando no ar que eu respiro, sem que eu tenha alternativa?

Quebro minhas correntes, e permaneço andando para lá e para cá.

A liberdade pode não passar de uma promessa vã e irresponsável.

Ainda assim, não posso deixar de almejá-la e persegui-la, até o último segundo da minha existência.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Papel molhado

As coisas mudam, elas estão bonitas.

As coisas mudam, elas são tão incômodas.

A melhor maneira encontrada de mudar é permanecer.

Pequenos tremores desestabilizam a mente.

Pequenos temores se fazem presentes, guardando a esperança de que o dia termine.

É mais cômodo ir com a onda e se deixar levar pelas conveniências.

Onde foi parar a velha bússola que não funciona mais?

O passado se desmancha feito papel molhado, como uma nostalgia que não precisamos mais ter.

Ainda estamos guardados numa caixa para que alguma criatura nos devore.

E mesmo que tudo seja uma ilusão ou uma metáfora qualquer, permanece real.

Quando terminar a espera, terminaremos nós.  

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Arrependimentos que não podemos ter

Talvez você queira destruir mais alguma coisa ao seu redor.

Essa fome não termina jamais, estamos mergulhados no mais profundo absurdo.

De repente, tudo que vejo ficou em preto e branco.

E as lembranças não poderiam ser piores.

Significados são distorcidos, como discernir o sangue derramado da tinta guache que trazia cor ao mundo?

As monstruosidades se alimentam, são o mesmo reflexo no espelho.

Sentada na calçada, a criança se pergunta que escolha ela teve.

Uma força monstruosa esmaga o que vê pela frente, mas não consegue tocar nos tesouros que trazemos no peito.

Ainda podemos nos elevar e observar o inevitável fim de todas as coisas.

E nas páginas que não escrevemos, estão sublinhados os arrependimentos que não podemos ter.   

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Procura

Já passava de meia-noite, e eu não conseguia me encontrar.

Apaguei todas as luzes da casa.

Acendi minha luz interior.

E me encontrei, num canto qualquer de mim mesmo.

Finalmente, pude descansar.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Fechar de olhos

Fecham-se as cortinas, o espetáculo acabou.

Tantas coisas ficaram para trás e caíram no esquecimento para que a existência se renovasse.

Até que ponto foi possível perder a lucidez?

Restou um fechar de olhos a cada espasmo de lembrança que vem e logo passa.

Felizmente talvez, absolutamente nada mudou.

Já não há mais impacto algum, o que um dia foi perturbador agora sequer faz cócegas na alma.

E o que realmente valia permaneceu em mim.


domingo, 13 de novembro de 2016

Chance para a plenitude

Você pode chegar e me trazer uma expectativa tola.

A perfeição não pode ter nada em demasia, sempre estamos idealizando nossos planos.

Eu sempre deixo aberta a possibilidade de me surpreender a qualquer momento.

Guardei o espaço perfeito para mais uma ilusão que me faça sentir um bobo.

Um tanto dos nossos espíritos, e um cheiro agradável e inesquecível podem ser o melhor dos presentes.

E então minha existência sentida numa banalidade qualquer faz o dia ficar mais bonito.

Tão pouco podemos ter, em tantos encantos podemos mergulhar.

Uma sensação nova pode preencher o vazio que ainda resta no ser.

Dou a chance para a plenitude, mesmo me arriscando a terminar sem nada nas mãos.

Chegue logo, mesmo que seja tarde demais.

Estou guardando os menores detalhes para que cada combinação de cores faça sentido na hora certa.

sábado, 12 de novembro de 2016

Certezas pelos cantos

Tudo se move ao redor de maneira tensa.

Precisamos mastigar a tensão que nos torna prisioneiros de micro-cenas que não nos levam a lugar algum.

Na escuridão, eu procuro um sonho para que o tempo passe.

Para você tornou-se tão difícil encarar o vazio que dá significado à vida.

As certezas que ainda restaram pelos cantos não passam de uma espécie tola de fé.

Porque a realidade rasga e faz sangrar, mas pode limpar tudo e fazer recomeçar.

Estou me despindo de todos os enganos e caminhando com um vento cortante em meu rosto.

Continuo sendo o mesmo, mas não sou escravo de nada.

Olhe para o céu e me diga o que faz ou não faz sentido.

Talvez você esteja apenas arranjando uma desculpa para fugir do peso das suas escolhas.

Mas as luzes se apagaram e todo o senso do que é a liberdade se perdeu.

Ainda há tempo para se elevar e deixar a existência atingir um nível desconhecido.   

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Fronteiras sutis

A hora chegou.

E antes que me desse conta, ela passou.

A vida é feita dessas fronteiras sutis entre o tudo e o nada.

A plenitude fica na casca, e o tédio permanece no silêncio das potencialidades abortadas, como se jamais pudesse ter sido revertido.

Choveu e eu passei, sem ter existido por aqui.

Todas as coisas que já fui em algum mundo paralelo escorrem com a água. 

E então morro a cada sonho desperdiçado que se esvai com o vento... 

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Fumaça e poeira

Massacres por todos os cantos, a sobrevivência é uma espécie de milagre.

Vamos passando por esse campo minado, torcendo para que tudo acabe bem.

Interesses escondidos nos colocam nesse permanente conflito.

A ordem para que todos sejam destruídos vem de quem acha que não se inclui entre todos.

Uma força incompreensível surge para afirmar tempos que já se terminaram.

Tantos sonhos são esmagados, até mesmo enquanto sonhamos dormindo.

Os estouros se tornaram apenas ruídos, e nossa maior desgraça é o costume.

A fumaça e a poeira escondem a desolação e a falta de misericórdia.

Será que essa cegueira será permanente, enquanto caminhamos sem perceber para o abismo?

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Coração bonito

Um coração bonito significa tanto para quem nada tem, e deveria significar para quem tudo tem também.

Um coração bonito tem tanto para dar ao mundo.

Um coração bonito faz a vida mais leve.

Um coração bonito faz a esperança no ser humano florescer no vão da calçada cinza.

Um coração bonito traz ao desalento toda a sua generosidade.

Um coração bonito traz ao escuro uma singela e risonha luz.

Um coração bonito é mais rico que todo ouro aqui existente.

Um coração bonito não precisa de motivos para ser bonito.

Um coração bonito é a combinação admirável de gratidão, amor e esperança, que tanto fazem falta por aí.  

domingo, 6 de novembro de 2016

Sensação de normalidade

Dançávamos sem responsabilidade no meio da sala,

Na simplicidade dos pequenos momentos, podíamos fugir da nossa escuridão.

Pelo caminho, ficaram todas as feridas e imprecisões.

A dor jamais poderia ser abandonada enquanto trouxesse saciedade.

Precisávamos da certeza de que nossos corações ainda estavam batendo.

O sol brilhava para trazer uma sensação de normalidade.

E então nos permitíamos esquecer, nos permitíamos sonhar.

Pelo menos até que a noite voltasse com sua brisa característica... 

sábado, 5 de novembro de 2016

O conforto no meio dos confrontos

Nessa vida, tudo que se cruza acaba fazendo algum sentido para os nossos destinos.

O aconchego me levou a uma situação da qual eu não poderia voltar.

Encontrei o conforto no meio dos confrontos, deixei florescer o que de melhor eu tinha.

Nem tudo que se adia termina ou morre, eu sempre soube disso.

Em meio aos sorrisos dos quais nos privamos, a beleza da permanência deste carinho incurável.

Todo o tesouro guardado ainda voltaria a ter valor.

E nenhum brilho pode ser igualado ao daquele olhar que precede o auge do sentimento.

A despedida torna-se um doce até logo, envolta numa sublime aura que só os momentos mais especiais podem nos trazer.

Eu me eternizo naqueles minutos, e revivo aquela alegria impossível de conter.

Para onde iríamos talvez já não tivesse tanta importância.

Mas aquele querer estar perto, como extensão daquilo que de mais bonito já fomos, persiste.

Quando deixar de ser utopia, a felicidade será a mais querida visita em meu ser.   

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Surdos ou cínicos

A correnteza vai nos levando com toda a sua força.

Água suja, não podemos engolir.

Tudo foi transformado em farsa, satisfazendo fantasias e fetiches.

Fantoches não têm desejos ou ideias, e nada eles podem colocar em marcha. 

Bem à nossa frente, a realidade que grita para aqueles que, surdos ou cínicos, parecem não ouvir.

As vaidades vão se esvaziando no meio das palavras que já não fazem sentido algum.

Qual a importância do espetáculo patético que somos obrigados a protagonizar todos os dias?

Os paradoxos e contradições parecem então apenas um detalhe desprezível.

As etiquetas estão prontas para nos poupar de ter de pensar.

E a verdade tornou-se apenas uma barreira indesejável para os interesses medíocres de quem quer cortar nossas asas.

Mas tudo será diluído, e esse gosto amargo não poderá mais ser sentido.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Rabiscos amassados

As expectativas voam pela janela.

Tudo se esvai pelo ralo que fica entre o cedo e o tarde demais.

O que se falou e ouviu morre no ar, mesmo que não tenha morrido em nós mesmos.

Acalmo minha consciência e respiro fundo, sentindo toda a vida que ainda tenho.

Amasso meus rabiscos, e os jogo na cestinha, para que eu tenha algo melhor na cabeça.

Escolhas outras nem sempre são as melhores, mas quase sempre são as mais fáceis.

Num novo dia que ilumina a alma, novos sentimentos vão sendo construídos.

Mas o que somos jamais destruiremos. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Transeunte sem nome numa foto em preto e branco

Velhos tempos que não cheguei a viver tomaram conta da minha mente.

Das limitações, criamos um mundo novo e conseguimos nos distrair.

Aqueles que não entendem não conseguem atrapalhar o nosso momento.

E tudo melhorou com o tempo e sua ação cicatrizante.

Eu estava invisível, apenas um transeunte sem nome numa foto em preto e branco.

Então saí andando, sem responsabilidades ou destinos, subindo e descendo escadas.

Já não importava minha localização, ou o que ainda havia por fazer naquele dia.

Havia encontrado minha redenção entre as cortinas plásticas de um ambiente estranho.

Eu apenas apreciava uma doce surpresa, um presente do universo.

Abrimos mão da plenitude por um instante de efêmera mas inacreditável euforia.

Em todos os meus sentidos, senti a vida pulsando intensamente.

Nas reações do instinto, eu tinha entre meus dedos as respostas mais óbvias, e por isso as mais difíceis.

A viagem terminava no meio do caminho, e por mais que eu me esforçasse, não podia mais voltar. 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Sonhos congelados

A caixa prende e escraviza.

Nenhum aviso ou recomendação é suficiente.

A tinta se descasca e revela o desejo que se frustrou.

O tecido rasgado machuca a pele e a alma.

A sujeira volta a se acumular no chão, e o complexo de Sísifo atormenta.

Sua queda livre nunca encontra o solo, não adianta mais gritar.

Seus sonhos congelados se diluem no copo da realidade.

Que gosto eles deixarão de ter?

Pés doloridos e cansados chegaram ao lugar errado, e tudo o que foi acreditado caiu em descrédito.

Mas não, não chegamos ao fim.

E qualquer momento dessa fita pode ser um novo começo.

domingo, 30 de outubro de 2016

Lydia

Lydia está tão bonita hoje.

Nada abala seu coração.

Lydia é o retrato da pureza que o mundo esqueceu.

Ninguém poderá destruir o amor que ela carrega em si.

E quando crescer, Lydia saberá mais das coisas da vida do que todos nós.

Somos tão menores do que a força do seu espírito!

A pequena Lydia sorri mesmo diante da dor e da maldade.

É o símbolo mais perfeito da simplicidade da existência que ainda nos recusamos a ver. 

sábado, 29 de outubro de 2016

O que eles sabem das nossas vidas?

O que eles sabem das nossas vidas?

Estão vomitando o que é bonito e o que é sofrimento.

O que eles sabem das nossas vidas?

Precisam mostrar de onde falam, mesmo sem nunca terem estado lá.

O que eles sabem das nossas vidas?

Estão nos receitando um vidro de ideias de tarja preta.

O que eles sabem das nossas vidas?

Nunca se importaram com o que sentimos ou com as dores das quais viemos.

O que eles sabem das nossas vidas?

Agora nos dão o flagelo como um presente, decidindo aquilo que queremos.

O que eles sabem das nossas vidas?

Vivem aprisionados em suas mesquinharias auto-afirmativas, errando e fingindo arrogantemente que estão acertando.

O que eles sabem das nossas vidas?

O que eles sabem das suas próprias vidas?

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Ensimesmado

Abro a porta e dou de frente comigo mesmo.

Eu nem sabia que tinha saído.

Ofereço um café a mim mesmo.

E converso sobre banalidades esperando que eu vá embora.

Anuncio o adiantado da hora para mim mesmo.

E saio novamente para encontrar algo interessante pelas ruas.

Pego o telefone, preocupado, e ligo para mim mesmo.

Chegou o sono e preciso ir para a cama dormir. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Visão turva

Ela esperou a noite inteira mas ele não voltou.

Para alguns é mais fácil abandonar a alma saindo pela janela.

Eu observo a sua dor, ela me parece tão bonita.

A visão é turva, e toda melodia então torna-se igual.

Eu me inspiro para logo me esquecer daquilo que eu desejava.

As pessoas mais vazias estão cheias de explicações sobre o que devemos sentir.

Apenas duvide de quem quiser lhe tirar o direito de duvidar.

Na boca ficou o sabor que jamais foi experimentado.

Mas é impossível saber o que foi ou é real.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

As luzes uns dos outros

No tempo guardado nas nossas fotos, ainda estamos sorrindo.

E nem precisávamos de motivos para isso.

Talvez eu tenha deixado um pouco de mim pelo caminho.

Mas acreditem, eu nunca quis fazer ninguém chorar.

Toda a força que não posso estimar, apenas sentir, está vibrando no meu peito.

Assim, eu sempre saberei que não estou sozinho.

Amo vocês e tudo que me ensinaram.

E tento a todo momento honrar o orgulho que vocês sentem.

Tenho meus defeitos, e eu gostaria de ser alguém melhor. 

Me engasgo nas palavras que não encontro para expressar um sentimento imensurável.

Mas um belo dia está por vir, e talvez as palavras nem sejam mais necessárias.

Poderemos apreciar as luzes uns dos outros, com suas cores e características tão singulares.

E todos estaremos prontos para amar à nossa maneira. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Seguir em paz

Abandona as angústias, os medos, os rancores.

Abre o peito e respira.

Aceita o que é, sem esperar o que jamais foi.

Porque não se pode violentar a natureza de cada um.

O que de melhor era possível oferecer, ofereceu.

Segue, então, em paz. 

Leva no coração leve apenas o que de bom ficou. 

A bagagem já é pesada demais...

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Um jeito de sentir mais sublime

Tudo ficou mais bonito.

Sempre fica.

Passo por onde me sinto bem.

E me torno pleno, sem medo.

Descobri um jeito de sentir mais sublime.

Na imperfeição, encontro a beleza mais rara.

E a vida fica perfeita, mesmo com todas as suas lacunas. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Polegares sem digitais

O amor que você enche a boca para pregar não pulsa no seu peito.

Não apodreça as palavras para parecer estar acima desse mundo. 

Quanto amor haverá no sangue que você deseja ver derramado?

É difícil lidar com o diferente, então você quer igualar tudo que vê.

Mentes obtusas precisam de explicações simplistas para parecerem brilhantes.

Vá fundo ao ponto que você guarda no âmago do ser, tenha um pouco só de coragem.

Olhe-se no espelho e enfrente aquilo que você é. 

Talvez eu seja um pecador, porque não tenho a menor intenção de querer o que você quer.

Polegares sem digitais são a exata medida da sua identidade.

Os egos se sobrepõem às razões que nos levam ao abismo.

Por que você ainda luta tanto pela aprovação de zumbis que tiveram os cérebros devorados?

Sua vaidade está violentando a realidade ao seu redor.

Existe algo mais anti-altruísta do que isso? 

domingo, 16 de outubro de 2016

Convivência

A gente convive com as pessoas.

Nós as naturalizamos e nos acostumamos com elas.

Tanto que até nos esquecemos de prestar atenção em como elas são, suas marcas, suas sutilezas, seus trejeitos.

Elas se tornam uma espécie de preenchimento automático do cenário de nossas vidas.

E tudo fica óbvio, dado, pronto.

Até que as percamos.

E então, temos de nos esforçar para lembrar como elas eram... 

sábado, 15 de outubro de 2016

Escravos mentais

As mentiras estão guardadas no seu bolso.

Eles não sabem o que está acontecendo.

Tanta gente se entregou e agora espera sua contrapartida.

Ela lhe custará bem caro.

A auto-proclamação mentirosa derrete todos que estão na plateia.

Mas eles imploram por mais e mais, devorando tudo que enxergam pela frente.

Até quando migalhas serão suficientes para manter seu domínio?

Quem oferece a liberdade como uma dádiva não passa de um tirano.  

Então era tudo um engano, nos tornamos escravos mentais.

Era tudo um engano, e agora é tarde demais...  

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O gosto de todos os enganos e ilusões

Arranque esse carro, não tire o pé do acelerador.

Durante essa noite, não há nada a perder.

O cheiro é agradável, e você é o rei do mundo.

A confiança é todo o recurso necessário.

Afinal, as estrelas carregam todas as promessas que nunca caíram no esquecimento.

Mas as horas vão passando, e passando, e passando.

O que você era no início está se diluindo no copo quente.

O fim é diferente do projeto, você sabia que seria assim.

Ficou na boca o gosto de todos os enganos e ilusões.

A manhã chegou fria, tão óbvia para iluminar a sujeira que sobrou no chão. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Auto-análise

O que vai passar?

O que vai ficar?

O que vai surgir?

O que vai morrer na imaginação?

O que eu serei?

O que eu deixarei de ser?

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Incapacidades

Tanta gente incapaz de entender.

Tanta gente incapaz de crer.

Tanta gente incapaz de ver.

Tanta gente incapaz de luzir.

Tanta gente incapaz de ouvir.

E, principalmente, tanta gente incapaz de sentir.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Vazio necessário

Levamos tanto tempo para descobrir quem realmente somos.

Olhe para mim, está tudo bem.

Sou toda a gratidão que invade a alma enquanto mantenho meu silêncio.

Quero lhe trazer boas notícias do dia de amanhã.

Acredite, eu também tenho algo para brindar.

Mas as palavras me engasgam, fico torcendo para que não fique tarde.

Posso sentir o mesmo que você está sentindo agora.

Vamos salvando nossas vidas apostando que logo à frente elas nos preencham por inteiro.

E nesse anseio, esquecemos que manter um espaço vazio é necessário.

Ao dobrar a esquina, podemos encontrar um fim.

Seria muito arrogante pensar que não precisaremos de mais nada.

A vida é um mistério a ser desvendado a cada novo dia.  

Então é melhor não se apressar...

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Distraídos com nossas próprias vidas

Todos os atalhos se fecharam, fica difícil encontrar a saída.

Estamos tão distraídos com nossas próprias vidas que perdemos a noção do que acontece do lado de fora.

De qualquer jeito, o que tinha de ser feito está feito, e assim posso seguir.

A apatia e o desinteresse não são qualquer diferencial nos tempos em que vivemos.

Porque os movimentos não fazem qualquer sentido em sua desordem.

Repetições desesperançosas e finais previsíveis estão sempre na conta cara que pagamos.

Mas parar é uma tolice que não está entre as minhas opções.

As páginas em branco podem trazer as melhores notícias do mundo. 

domingo, 9 de outubro de 2016

Sky & God Gold

Ontem o Porta dos Fundos postou no Youtube um vídeo sobre o "céu católico" que, por óbvio, provocou polêmica (assista aqui). O esquete nem chega a ser engraçado (mas, convenhamos, hoje em dia "ter graça" não chega a ser importante para o humorismo, uma vez que o critério analítico principal adotado por muitos é se a piada está ou não na lista de temas permitidos pelo Comitê Central da Patrulha do Politicamente Correto). Faz uma crítica à "lógica" de salvação do Deus católico, que pode perdoar as maiores barbaridades de quem a ele pede perdão, mas de jeito nenhum pode tolerar que a pessoa, por melhor que seja, tenha deixado de crer nele. Evidentemente, haveria polêmica, dando margem para que alguns seres humanos pudessem destilar todo o seu profundo e irreversível retardamento mental.  

Entretanto, em meio a uma infinidade de bizarrices de gente possui imensa dificuldade em lidar com piadas e que tem como mentor intelectual um tal de Nando Moura (!), uma se destacou aos meus olhos nos comentários do famigerado vídeo. Fiquemos então com a pérola de sabedoria do usuário Junin Play, uma das passagens mais brilhantes que já li na vida, digna de banners com belas palavras postadas no Facebook (vou até colocar numa fonte diferente, pois é bonito e inspirador demais):

"A questao eh simples, vc chamaria alguem que sempre te recusou a ir num jantar a sua casa? mesmo a pessoa sendo boa com todo mundo, mas ela te ignorava, vc chamaria? agr se uma pessoa fez mal a muitas pessoas, mas ele conversava com vc, te respeitava, vc chamaria quem pra jantar na sua casa? o que te ignorava? ou o que conversava com vc ?" (Junin Play, 2016).

Eu sei, é inteligente e comovente demais o raciocínio do rapaz. Fica difícil conter as lágrimas com uma argumentação tão clara, lógica e bem articulada.

O céu, para essa mente brilhante, nada mais é do que um clubinho dos amigos de Deus. Certamente o Maníaco do Parque, portando seu cartão vip Sky & God Gold, terá mais chances de entrar no Reino dos Céus do que o ateu do Médicos Sem Fronteiras que salva vidas de crianças desnutridas na Etiópia todos os dias.

Esqueça também aquele negócio de Deus justo, todo misericordioso, cheio de amor e tolerância de que falam por aí. O Deus no qual Junin Play, "O Pensador", acredita, é uma espécie de superstar birrento que não aceita que você não tenha um pôster dele colado na parede do seu quarto. Afinal, tanto faz se você busca seguir sua consciência, fazer o bem e não prejudicar o próximo: se você não for "parça", está frito.

É triste que existam imbecis que pensem assim. Talvez buscar algumas coisinhas que o Papa Francisco tem dito nos últimos anos possa ajudar em algo...

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- Escrevi outras vezes sobre esse tema do fanatismo exacerbado (você pode ler aqui, aqui e aqui).
- Sugiro também o ótimo vídeo de Felipe Neto sobre o assunto, no qual ele diz absolutamente tudo aquilo que penso sobre determinadas ideias de Deus (assista aqui).

sábado, 8 de outubro de 2016

Pequeno paradoxo do medo da morte

Ele sofre todos os dias com o medo de morrer e tudo se acabar.

Mas se quando ele morrer tudo se acabar, não terá como ficar sofrendo com absolutamente nada. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Remédio

Machucou, mas cicatrizou.

Doeu, mas passou.

Nossas verdades, quando bem aceitas, são o melhor remédio para tudo que sangra.

O remorso tolo se foi.

Tudo secou e virou pó levado pelo vento.

Encontramos e perdemos, mas não lamentamos.

Basta que aprendamos a nos distrair com o que a vida nos dá.

Um novo e belo dia acaba de nascer.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Momentos em preto e branco

O vento traz movimento à paz e à guerra de nossos velhos cenários.

Já passamos por tanta coisa, mas sempre parece pouco.

Às vezes, o silêncio não é ausência, pois sabemos contemplar.

Um dia, eu tentei ser uma pessoa melhor, mas repeti tantos erros.

Acredite, eu gostaria de ter dado mais de mim.

Apenas agradeço pelo tanto de cuidado e carinho.

E sei que não aprendi a ser tão doce, é muito o que ainda preciso aprender.

Meu jeito estranho jamais foi uma negação, nunca deixei de ter consciência de que sou um privilegiado.

Apesar do meu humor, não duvide do meu amor e das promessas que faço a mim mesmo.

Tudo o que vivemos me fez chegar aqui exatamente dessa maneira.

O abraço, a sorte, os momentos em preto e branco não morreram.

Nada do que fizemos deixou de ser preenchido pelos melhores sentimentos e intenções. 

E a ternura nunca se perdeu, mesmo diante dos nossos excessos.

Sou bem mais do que pareço ser, e sei que pareço ser cada vez menos.

Quando engolimos o nosso choro, somos a mesma coisa.

É nessas horas que somos plenos e não percebemos.

Às vezes sinto um medo profundo de perder o que eu nunca soube ter.

E então eu rezo para que quando eu saiba, esse aprendizado não tenha se tornado obsoleto.