terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sopro de beleza mórbida

As folhas secas caem sobre seu casaco bege.

Ela está em busca de cor no céu acinzentado.

O vento é poesia movendo seus cabelos, gelando sua face.

Ela espera não esperar por mais nada.

O vermelho de seu coração exposto a torna mais vulnerável.

Ela tem o olhar que expressa a desesperança angustiada de um dia vazio.

A lã não protege do frio que vem do âmago do ser.

Ela tem em suas mãos todos os motivos para fugir dali.

Foi uma marionete censurada, arrebentou os fios que lhe escravizavam.

Ela é um sopro de beleza mórbida, de morte em vida, escrevendo linhas para que ninguém leia.

Um olhar penetra, um olhar desvia, berra e se perde.

Ela é a perfeita representação do incompreendido que se esconde no ar que circula.

Bem do alto, a gratidão profunda pela graça não alcançada.

Ela é a perversão de todo imaginado, de todo sonhado.

É tempo de solidão e vagos prolongamentos.

Ela é a maçã suculenta e mordida, o sabor que se esconde e foge pelo canto da boca.  

Tudo padece e termina a todo momento.

Ela é a conformidade que arranha o vidro que lhe faz cativa em si mesma. 

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