domingo, 6 de dezembro de 2015

Cinco

Estávamos sentados lá, numa tarde quente.

Tanta gente com quem eu não queria estar.

Você fingia não me ver, e eu fingia não ver você.

Sentia meu peito cortar, mas, e daí?

Talvez houvesse algo a ser dito.

Mas optamos por manter o silêncio e a impessoalidade.

No fim das contas, tudo parece acabar, mesmo.

E eu não sou um privilegiado.

As pessoas mantêm seu cinco, não arriscam-se ao dez por medo do zero.

Então eu olho para frente, fazendo questão de manter-me tolo.

Ainda sinto o gosto, ainda tenho capacidade de amar.

Busco por aí aquilo que mereço, e ainda não recebi.  

Nenhum comentário: