sábado, 26 de dezembro de 2015

À deriva

O sono me consome, não tenho como dormir.

Há alguma coisa queimando minha mente sem trégua ou alívio.

E para onde quer que eu vá, não posso fugir.

Existe um desespero latejando no peito, um anseio não satisfeito em permanente desassossego.

Pelos meus caminhos, vou deixando lacunas.

Sou uma estrada pessimamente pavimentada.

Busco estragar a mim mesmo em cada canto, deixo-me espancar a cada rua.

Não peço socorro, a dignidade se perde em camadas, camadas que nunca terminam.

Minha dor se reflete na falta de expressão em meus olhos.

No âmago do espírito, um buraco que suga as energias, e que jamais será preenchido.

Não há revolta maior e mais sublime do que a desistência.

A existência é o mero e insignificante detalhe que faz toda a diferença.

O universo fala comigo em um idioma que não consigo decifrar.

Eis a ironia de tudo, a ignorância que me tortura, os papeis que não consigo ler, desmanchando-se nas minhas mãos.

Eu fico para depois, e depois, e depois.

A chuva fina me toca sem que eu sequer perceba, enquanto a tempestade me inunda e deixa o coração à deriva.

E quando é que, afinal, não foi assim?

Não existe terra firme para qualquer sentimento que eu crie, recrie ou distorça.

E quando é que, afinal, não fui assim?

4 comentários:

Alice Twins disse...

Olá Bruno,
Como vai?

Uma poesia linda de se ler com muito sentimento..

Um beijo,

http://alicetwins.blogspot.com.br/

CÉU disse...

Por vezes, parece-nos que tudo nos foge! Verdade ou ilusão?

BOA VIRADA E EXCELENTE ANO NO, Bruno!

Beijos.

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado, Céu! Feliz ano novo pra ti também!

Beijos.

Bruno Mello Souza disse...

Tudo bem, Fernanda, e contigo?

Muito obrigado pelas palavras.

Um beijo pra ti.