segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Verbos sagrados, rabiscos no papel amarelado

Cada onda é igualmente salgada.

Cada onda tem sua própria pancada.

Sentimentos são palavras na areia, apagados com a maré que tudo leva.

Fazer planos sobre o nada é o alento de muitas pessoas.

Mas elas não possuem palavras suficientes.

Não há como traduzir as cartas e seus verdadeiros sentidos.

Mas isso nunca teve real importância.

Reproduzir o dia que se passou é uma imensa tolice.

Os gestos e anseios tornaram-se fumaça que se esvai pela chaminé.

Todas as lembranças foram feitas para serem esquecidas.

E as pessoas fingem que ainda pertencem ao presente, fingem que ainda existem.

O apego às inexistências é apenas um modo de mascarar o que mudou.

Pílulas mantêm a respiração, mas vegetar não é uma boa saída.

Verbos sagrados são apenas rabiscos de tinta no papel amarelado.

Tantos podem lê-los, tantos podem escrevê-los.

Eles são tão banais quando a noite chega!

Tudo tornou-se vazio, a caminhada é sempre solitária.

Não há nada de tão ruim nisso quando se entende o significado.

Não há vida na esperança, porque viver jamais foi esperar.

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