terça-feira, 3 de novembro de 2015

Por isso rimos

Passos de dança, seu acerto, meu erro.

Estamos nós, um pouco loucos, esperando a primavera chegar.

Frutas mordidas distraem, saciam a fome.

No vento, tantas mensagens são ditas num sopro.

Tudo que nos pertence voa, porque jamais foi nosso.

Mas nem todos aprenderam a contemplar o próprio sofrimento.

E as coisas bonitas de quando sangramos podem parecer apenas sujeira no chão.

Todas as cores são cinzas, sentimentos que algum dia acendemos em nossas bocas.

Vícios de gente tola, amores que se foram mas sempre serão, ainda que jamais tenham sido.

Nos atos corriqueiros vemos que somos, e nos olhamos.

Brincamos com as pétalas das flores, criamos sonhos e amassamos papeis em branco.

Somos crianças, deixamos a responsabilidade num baldinho cheio de areia.

Mas não há mais aquele jeito de viver.

E nos deixamos evaporar com os dias, dentro de uma realidade com gosto de fumaça.

O sabor do morango com chocolate virou besteira para as pessoas sérias.

E por isso rimos, e rimos.

Por isso apenas rimos, porque não temos mais nada a ganhar.

E por isso rimos, e rimos.

Por isso apenas rimos, sem qualquer necessidade de rimas.

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