domingo, 11 de outubro de 2015

Tantas palavras

Com a espada no pescoço, não há uma confissão a fazer.

São tantas as palavras, tantas e tantas!

Mas não há motivo para nenhuma lágrima mais.

A partida pode ser triste, mas é poesia pura.

Desculpe-me, mas eu preciso ir agora.

O trem está no seu horário.

E eu preciso partir agora.

Algumas pessoas nasceram para asfixiar seus sentimentos.

Algumas pessoas nasceram para ser coadjuvantes em suas próprias vidas.

E elas assistem a tudo de longe, esperando por um dia que nunca chega.

E elas apodrecem sentadas, olhando para o horizonte. 

Na penumbra, na luz que nada revela, procuro por alguma mentira que me distraia.

E eu volto, eu volto como uma música que reproduz todas as chegadas a lugar algum.  

Os resquícios vão se desmanchando aos poucos.

A eutanásia de todos os afetos se sobrepõe como uma dor necessária.

Restou o ar circulando no vazio que me tornei.

Ficou o gesto não explicado do qual eu nunca me esqueço.

Mas ninguém mais lembra de um sofrimento que nunca me pertenceu. 

Ficaram latejando todas as coisas que poderiam significar tudo, que poderiam não ser nada.

Ficou o pulsar desesperado de um coração que se apega a pequenas coisas.

E que sorri com isso, e que chora com tudo isso.

Deixo o tempo passar enquanto estou aberto.

E isso não passa.

Não, não, isso não passa.

E isso não cessa.

Não, não, isso jamais cessa.

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