sábado, 17 de outubro de 2015

Necessários e dispensáveis

Voltou a esfriar, sou congelado até os ossos.

Não me importo com o que se passa, nem com as coisas que não vejo.

Tanta gente chora sem motivo, tanta gente ama suas próprias ilusões.

Lado a lado, você e a derrota que não pode sentir.

Apenas uma brisa, e sua mente é levada para lugares nunca explorados. 

Estamos aliviados por não existirmos, à espera de mais uma injeção cheia de sonhos que não nos pertencem.

Ganhamos isso apenas para continuar, somos necessários e dispensáveis.

Não tínhamos anseios, mas precisávamos de um motivo.

Tudo fica bem, tudo voltou a ser como não era antes.

Porque todas as surpresas são esperáveis e previsíveis.

Não estamos suficientemente encharcados com essa doçura amarga e repulsiva.

E nem sequer conseguimos sentir algum arrependimento por isso.

A cegueira está em tudo aquilo que enxergamos.

Nada é cômodo quando não pertencemos a nós mesmos, e vamos caminhando por espasmos.

Algumas horas são mais longas e valiosas do que outras.

Ficamos aguardando restos e migalhas no ponteiro que vai nos destruindo lentamente.

Em diferentes lugares, as justificativas são as mesmas.

Mas não somos donos de qualquer privilégio, os desapontamentos são recorrentes.

Estamos reféns das mentiras que inventamos para nos confortar.

E do chão recolhemos nosso alimento e nosso veneno diário.

Não há consciência nesse amanhã prometido.

E nada será suficiente, ainda que nos mantenhamos aqui.

O futuro passou bem em frente aos nossos olhos.

Sobraram apenas os ruídos e a poeira.

Sobramos apenas nós, tão distantes, dolorosamente próximos e unidos.

2 comentários:

CÉU disse...

Embora não tivesse saído "fumo do meu monitor", jorrou talento, por aqui, nessa inteligente contradição.

Agradeço sua visita e comentário, Bruno!

Bom domingo.

Beijos.

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado, Céu!

Bom domingo pra ti também.

Beijos.