sábado, 31 de outubro de 2015

Abrir e fechar das cortinas

Abrem-se as cortinas, e um dia de sol nem sempre precisa ser um espetáculo.

Brilhos desnecessários e fugazes alimentam de sentido as coisas não sentidas.

Aplausos e afagos são mentiras mal contadas nas quais todos fingem acreditar.

Entranhas são expostas num show dantesco, como se qualquer tentativa fosse válida.

Risos compulsórios e palavras carregadas geram uma teia de imagens irreais.

Cada número move em direção a um abismo interior.

Almas profundas deixam-se arranhar pelo reino das coisas passageiras.

Hoje o que importa é apenas o que não possui importância alguma.

Na boca, o elogio e a traição.

Na boca, o beijo e a trituração.

Na boca, o sorriso e a devoração.

Em cada segundo, a adoração se engalfinha com a banalização.

O amor inventado acalenta, temperado por gotas certeiras de lágrimas.

O amor não vivido esfria no prato, dissolvido na saliva não compartilhada.

Todo o brilho fugaz agora é uma coleção de lembranças incertas, cobertas por uma cortante descrença.   

Fecham-se as cortinas, e tudo tornou-se o infinito silêncio da solidão. 

4 comentários:

CÉU disse...

Vivemos num mundo do faz de conta. Excelente sua escrita!

Beijos e boa semana, Bruno!

Bruno Mello Souza disse...

Boa semana pra ti também, Céu.

Beijos.

CÉU disse...

E que feriadão..., menino! A guerrilheira ou ex. que governa teu país tem "mãos largas". Seria bom k as tivesse, também, para a saúde, justiça, segurança e educação.
Se divirta, da forma k você mais gostar.
Aqui, já não é feriado, hoje. O governo atual, e no qual votei, retirou alguns feriados, religiosos e não religiosos, pke as pessoas começavam a "construir" pontes, aquedutos e "sub" pontes, antes e depois, chegando a ser uma semana sem trabalhar.

Agradeço visita e teu comentário, sintético, mas tão certo!

Beijos, Bruno e boa semana com menos um dia.

Bruno Mello Souza disse...

Obrigado, Céu!