domingo, 27 de setembro de 2015

O vidro

Sonhos e medos são a pauta desse meu dia.

A companhia de sempre quando escurece não me basta mais.

Estrelas morrem no céu a todo instante.

O aconchego, tão próximo, é o passo que me recuso a dar.

E vai caminhando, vai se afastando.

Posso perceber perfeitamente entre as palavras que não ouço mais.

Não posso dizer que não escolhi.

Estou perdendo, estou vendo o amor e a vida esvaindo-se pela chaminé. 

Paro para manter o sorriso da foto, de um tempo que não voltará.

São lugares em que não estou, onde eu mais gostaria de estar.

Quando caminho e levo minhas algemas, não sinto o verdadeiro gosto.

Minha divisão é minha fuga, largo meus pedaços no percurso como maneira de não me perder.

Eis você dentro do vidro que eu criei.

Agora quero quebrá-lo com todas as minhas forças.

É minha intensidade nesse jeito de querer tanto, na forma com que lhe vejo partir antes mesmo de ter chegado.

Já não tenho mais truques, não tenho mais sorrisos no bolso.

Já não tenho mais desculpas para me dar, não tenho mais moedas para lhe jogar. 

2 comentários:

Gracita disse...

Olá Bruno
Quebrar as algemas para voltar no tempo é uma tarefa bastante difícil
Melhor não se fechar e deixar acontecer. Viver o momento!
Um abraço e boa semana pra ti

Bruno Mello Souza disse...

Obrigado, Gracita!

Abraço.