quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Da janela do ônibus

Da janela do ônibus, vejo uma senhora vendendo refrigerantes.

Ela aparenta uns setenta anos.

É negra, praticamente sem nenhum dente na boca.

Suada, visivelmente cansada.

Carrega um carrinho com um isopor pequeno, e um suporte com canudinhos.

A fila de pessoas vai adentrando a condução, ignorando-a enquanto ela oferece a lata de Pepsi, sem qualquer êxito.   

Algumas cenas mexem comigo, me deixam pensativo.

Cenas que acabam mudando meu dia e ficam gravadas em minha retina.

Cenas que parecem banais e desconsideráveis para todo mundo.

Alguém está muito errado nisso.

Alguém está encarando de forma totalmente fora de proporção as coisas inerentes a viver e a ser um humano.

Ou eu, ou todo mundo.

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