sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Simultaneidade

Daqui de cima, observo a imensidão da cidade, o interminável de prédios, casas, ruas e passagens.

Olhando para tudo isso, vislumbro o inacreditável caldeirão de pessoas, seus momentos, suas emoções.

Nesse exato instante, nessa vastidão pequenina pela janela, quantos estão rindo?

E quantos estão chorando?

Quantos estão brincando?

E quantos estão brigando?

Quantos estão com o coração pulando de amor?

E quantos estão com o coração partido de dor?

Quantos estão saboreando a existência?

E quantos estão apenas mastigando-a, engolindo-a?

Quantos estão realizando um sonho?

E quantos estão mergulhados em seu pior pesadelo?

Quantos estão esperando no leito da morte?

E quantos estão bebendo o leite materno?

Quantas coisas, daqui tão pequenas, mas tão grandiosas, estão acontecendo lá embaixo nesse preciso segundo?

Vidas, tantas vidas!

Vidas, quantas vidas!

Vidas, extraordinárias banalidades!

Vidas, ínfimos milagres!

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