quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O ator e a garrafa

As luzes se apagam, os aplausos se fazem ouvir, você se retira.

Fez-se dono de tudo, centro das atenções.

Fez rir e chorar, foi o sentido de tudo.

Agora, na mesa do boteco, é mais um entre tantos solitários.

O brilho que sobrou é o amarelo da cerveja.

Tão dono de si sob os holofotes, agora você é um cão sem dono.

O coração dói, arranque-o, faça-o aperitivo.

Abrace a silhueta da garrafa, feche os olhos, volte a si mesmo.

Em suas casas, as pessoas da plateia ainda sentirão o gosto das suas palavras e gestos.

Como uma estrela morta há milhões de anos, você ainda ilumina, mesmo já tendo se apagado.

Em sua casa, você dormirá sozinho mais uma vez.

2 comentários:

B. disse...

Compartilhei uma imagem no face que achei muito interessante "beber em caso de emergência interior". Muitas vezes nós usamos a bebida como refúgio para apaziguar nossas mazelas. Mas acredito que a bebida é só uma alternativa passageira. O nosso ser, precisa mais de si mesmo, para preencher vazios.

Bruno Mello Souza disse...

Oi, B.!

Concordo com tuas palavras.

Saudades de te receber por aqui!

Beijos.