sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Falando sozinho

O uso que se faz disso geralmente é desprezível.

Tanta gente hoje não sabe ser gente.

Algumas verdades são desonestas, e nem sempre as mentiras são sinceras.

Seu lugar é só seu, então porque tenho de dividir o meu?

O tempo é rarefeito para tudo que se quer, para tudo que não se pode ter.

A aproximação é o preâmbulo da repulsa.

Um discurso é fantasia, as práticas são mais ressecadas.

Porque tudo que você faz comigo, você faz com outros.

Mas nem tudo que você faz com outros, você faz comigo.

É o vazio de significados que preenche essas vidas que flutuam pelas ruas fétidas.

Encenações servem para manter, mas nunca servem para ir além do que somos.

Na onda imensa, sou mais um.

E eu sempre detestei ser mais um.

Horas se afastam, e você nem sequer pode se lembrar que estou aqui.

E eu sempre soube o quanto isso é ridículo.

Não há qualquer importância nisso.

Estou apenas falando sozinho.

Não me ouça, por favor.

Não me veja, por favor.

Não diga nada, não diga nada.

2 comentários:

CÉU disse...

Filosófico, interiorizado e muito realista.
Falando sozinho, você chegou a conclusões fantásticas, k deveriam ser banais.

Beijos e bom fim de semana, Bruno!

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado pelas palavras, Céu!

Beijos.